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domingo, 9 de dezembro de 2012

CONSCIÊNCIA NEGRA: REFLEXÕES


ARTIGO PUBLICADO PELA PROFª ESP. KARLA O. ARMANI, EM 18 DE NOVEMBRO DE 2012 NO JORNAL "O DIÁRIO DE BARRETOS"


            Na semana da “Consciência Negra” é comum refletirmos sobre o passado da comunidade negra e, principalmente, sobre suas conquistas na sociedade. Assim, falar a respeito da inserção dos negros no atual mercado de trabalho, bem como seu acesso à saúde, educação e moradia são assuntos discutidos neste período. Mas, e na escola? Como trabalhar a semana da Consciência Negra? O que a sala de aula pode trazer de reflexão aos alunos a respeito disso?
            As aulas de História, assim como as outras áreas das ciências humanas, têm muito a oferecer sobre este assunto; afinal não há nada melhor que estudar o passado, a cultura e a memória para se refletir sobre as problemáticas atuais. Deste modo, discutir a respeito não só da escravidão, das fugas e das punições são questões importantes sobre a consciência negra; mas, principalmente, pensar sobre as africanidades, as heranças culturais e as contribuições dos negros.
            Além do mais, tratar destas questões é algo definido por lei federal no Brasil (lei 10.693/03), onde o ensino de História insere em seu currículo a “história e cultura afro-brasileira e africana” como parte integrante da disciplina de História. Neste sentido, o professor de História deve trabalhar com os alunos a trajetória da cultura africana e sua relação com a afro-brasileira. Na prática, estes conceitos podem ser desenvolvidos com os alunos dos 6º, 7º, 8º e 9º anos, haja vista que são nestes períodos que são trabalhados respectivamente os conteúdos referentes à África na Antiguidade, Islamismo, Grandes Navegações, Colonialismo, Tráfico, Escravidão no Brasil, Resistência e Quilombos, Revoltas, Leis Abolicionistas, Abolição, heranças culturais, Imperialismo, Descolonização e Movimentos de Libertação Nacional.
Em todos os ciclos escolares, mesmo com o “tempo apertado”, é possível que o professor de História sempre trabalhe os conteúdos da história africana e afro-brasileira, para que o aluno construa em sua mentalidade a importância da contribuição africana na história do nosso país e a presença do elemento africano em nossa cultura. Sendo assim, fica visível, e até “natural”, pensar que não há Brasil sem África, visto que foi do continente africano que saiu grande parte daquilo que chamamos de cultura brasileira.
É por essas e outras, que o 1º artigo da lei 10.639/03 declara a importância do estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil”. Logo, através do estudo da cultura africana e afro-brasileira, que a História pode contribuir como reflexão na semana da “Consciência Negra”.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O SEGREDO DE CABO VERDE

A África é um continente, antes de qualquer coisa, persistente e resistente. Resistente no sentido de que mesmo com todo o contexto histórico da colonização horrenda que vivenciou, persiste hoje no desenvolvimento de muitos de seus países. A imagem da África lançada pela mídia como um continente subdesenvolvido e passível de violência é o que infelizmente fica na mente de muitas pessoas e as fazem ingerir um preconceito deslumbrado. É claro que violência, fome e miséria estão presentes neste continente, assim como em vários outros países, mas a África conta com a busca da união e da identidade de seu povo para ascender a chama do desenvolvimento.
Para desvendar tamanhos preconceitos quanto à imagem da África, muitos africanos estão presentes no mundo todo e através de conferências ou simples palavras demonstram a evolução de seu continente. Um destes célebres africanos é o Sr. Daniel António Pereira, Embaixador do Cabo Verde no Brasil, no qual proferiu uma palestra sobre seu país e argumentou sobre a história de Cabo Verde e sua situação atual.
Cabo Verde, como o Brasil, foi colônia de Portugal por muitos séculos e o motivo maior da colonização certamente foi sua posição geográfica, que na época eram dez ilhas isoladas no Atlântico. Assim sendo, tornava-se fácil o tráfico negreiro dos escravos ladinos e a rota marítima para a exploração dos demais territórios africanos. As ilhas de Cabo Verde somente se unificaram e conseguiram a Independência em 1975 e, a partir de então, os caboverdianos puderam lutar em prol da nação. Este momento pós-independência criou oportunidades para a população de Cabo-Verde, que, puderam construir o país a seu próprio modo. Foi então que o Sr. Daniel, jovem na década de 70, resolveu graduar-se em História e interessou-se em estudar a história de Cabo Verde, que outrora era somente contada pela História de Portugal. A história de Cabo Verde foi então construída através de pesquisas científicas feitas pelo próprio Sr. Daniel e outros.
Hoje, o país possuí 10% de analfabetos (rumo ao 0%), expectativa de vida de 69/72 anos, taxa de mortalidade baixa e estrutura tecnológica em ritmo de avanço com as fibras-ópticas submarinas. De acordo com o Embaixador, o segredo do ritmo do desenvolvimento de Cabo Verde está na aplicação total do investimento internacional no progresso próprio do país, isto é, sem desvios de verbas, sem corrupção! Cabo Verde, porquanto, é um dos exemplos dos países africanos que estão em via de desenvolvimento e, por maiores que foram as conseqüências do desastre colonial, conseguiram se unirem e superar os problemas iniciais. Que isto sirva de exemplo a nós, brasileiros, tão grandes em território, mas tão pequenos em identidade e união.

REFERÊNCIA: Palestra do Sr. Daniel António Pereira em Bebedouro em 11/09/2009.

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO" (BARRETOS/SP), EM 18 DE SETEMBRO DE 2009.