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quarta-feira, 14 de outubro de 2020

A PERSISTÊNCIA DOS PROFESSORES

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO DE BARRETOS" EM 14 DE OUTUBRO DE 2020 (página 2) PELA PROFª KARLA ARMANI MEDEIROS 

          

Escola Municipal em Barretos no ano de 1909,
antes de existir o ensino primário obrigatório e gratuito.

Fonte: Arquivo do Grêmio Literário e Recreativo de Barretos.


  Na semana do “dia do professor”, as mais belas homenagens são rendidas a esta classe primordial no desenvolvimento do país. E talvez a justificativa para tanto não esteja somente na memória afetiva dos alunos, mas na capacidade dos professores em acreditar na Educação e lutar pelas melhorias do ensino, independente da época e lugar.

            Quando um historiador entrevista pessoas mais velhas, geralmente, encontra-se um ponto em comum entre as falas (independente do gênero e da localidade): o estudo restrito à alfabetização inicial e ao ensino primário. São poucas as pessoas que até os anos 1940 e 1950 conseguiam avançar para o ginasial e concluir as etapas da escola.

No entanto, imaginem como era o trabalho dos professores quando nem ensino primário existia? No caso de Barretos, o ensino primário obrigatório e gratuito ocorreu a partir de 1912 com a inauguração do 1º Grupo Escolar. Antes disso, existiam as “escolas isoladas”, que, além de não atenderem a todas as crianças, enfrentavam uma série de dificuldades estruturais e a falta de apoio dos pais e de autoridades locais. Um exemplo disso é a carta da Profª Laurinda Escobar de 1890, em Barretos, analisada na tese de doutorado do Profº Humberto Perinelli Neto, que assim exclamava: “Esta escola até ao presente nenhum auxilio mereceu, não obstante o vivo interesse que por ella tenho tomado; [...]. Lutando com a falta de cômodos e condições pedagógicas apropriados ao emprego dos mettodos modernos, [...] , lamento que ate o presente não tenha baixado um luminoso decreto, tornando o ensino primário obrigatório. Este palpitante melhoramento ansiosamente almejado pelo Professorado todo, ávido por ver coroado seus árduos esforços do mais feliz êxito, alem de arrancar a nossa sociedade deste estado enervado em que se acha, vem rodear de prestigio aquella infeliz classe, que actualmente só tem deveres a cumprir sem o mínimo direito a alegar”.

Interessante como no distante século XIX, a figura do professor já era presente e persistente nos desígnios da Educação. Viva essa persistência!


Fonte:

PERINELLI NETO, Humberto. Nos quintais do Brasil: homens, pecuária, complexo cafeeiro e modernidade - Barretos (1854-1931). -Franca: UNESP, 2009 (tese de Doutoramento em História).

terça-feira, 28 de maio de 2019

O IMORTAL PERINI

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO DE BARRETOS" EM 28 DE MAIO DE 2019 (página 2) PELA PROFª KARLA ARMANI MEDEIROS


         
Convite da ABC para o lançamento
 do livro póstumo do Profº Perini
        Na memória dos barretenses encontra-se a figura do Profº Perini, residente em Barretos tempo suficiente para se eternizar na história cultural da cidade. Primeiro ocupante da cadeira 23 da Academia Barretense de Cultura, cujo patrono é Nidoval Reis, João Cornélio Perini encontra-se presente pelas ações da ABC, assim como nas estantes da Biblioteca Municipal “Afonso d’E Taunay” e da Biblioteca “Olivier W. Heiland” da ABC, as quais sustentam grande acervo de seus nove livros.
            Nascido em Pirangi, em 14/9/1943, Perini formou-se em Direito e Pedagogia, e trabalhou como professor, diretor de escola e supervisor de ensino. Escreveu livros e artigos a jornais locais, mesclando crônicas, poemas e outros textos. A Filosofia era sua fonte de estudo e produtora de pensamentos. Faleceu em 6/5/2004.
            Sua imortalidade já era garantida por seus livros, sempre revisitados por escritores de Barretos. Porém, o lançamento de mais uma obra de sua autoria (póstuma, organizada por sua filha Raquel) garantiu novos olhares sobre suas reflexões, além de estender a filosofia, por ele ensinada, às gerações contemporâneas. Trata-se do livro “Talassofia: a sabedoria do João para encontrar caminhos no mar da vida”, que neste 30 de maio será lançado na ABC, com a presença da sua esposa Cleide F. Perini.
            Na obra, “talassofia” vai além da alusão literal do termo; trata-se do mar da vida; escalando a existência, o humanismo e o conhecimento. Nas 172 páginas, navegamos em textos escritos entre 1999 a 2003, com temáticas sobre a vida, felicidade, infelicidade, verdade, amizade, Deus; afora cartas interessantes a Sócrates, Saint-Exupéry, José de Anchieta; diálogos com seu cachorrinho Pig; etc. São textos munidos em profundas leituras sobre filósofos e pensadores. Um intenso conflite à reflexão.
            Se “a vida não é curta. tudo vem e vai e torna a vir. a vida é uma fênix, renasce de si mesma” (p. 53), então entendemos como Perini voltou a nós: pela imortalidade de sua escrita. Sua “pena” vive e a cadeira 23 também.

Link da publicação no site do jornal "O Diário":

Artigo original do jornal "O Diário", 28/05/2019, p. 2:

terça-feira, 20 de novembro de 2018

BARRETOS E ANÁLIA FRANCO (PARTE IV)

PELA PROFª ESP. KARLA ARMANI MEDEIROS, EM 20 DE NOVEMBRO DE 2018, NO JORNAL "O DIÁRIO DE BARRETOS", PÁGINA 2
          
 Era o ano de 1914 quando Anália Franco visitou nossa cidade, acompanhada da banda musical e grupo teatral da sua “Associação Feminina Beneficente e Instrutiva de São Paulo”. Osório Rocha, nosso memorialista e jornalista, em suas “Reminiscências” relata que fora nomeado membro do Conselho Diretor do Asilo que esta educadora pretendia abrir na cidade. Anália, suas assistidas e os grupos artísticos da Associação Feminina tiveram espaço de apresentação no Teatro Santo Antônio, situação em que ela fora homenageada.
Loja Maçônica "Fraternidade Paulista", década de 1920.
(Fonte: Jornal "Barretos Memórias", ago/1988, p.4,
acervo Museu "Ruy Menezes").
            Contudo, a instalação do “Asilo-Creche” (uma das instituições modelos da Associação presidida por Anália) não foi tão facilmente empreendida em Barretos. Visto ser Anália Franco uma senhora assumidamente espírita, mas de bandeira laica na instituição. Naquela época, adeptos do espiritismo não eram bem aceitos na sociedade por conta do domínio católico, das práticas espirituais associadas a “misticismos”, da aproximação com instituições secretas como a maçonaria e do apego ao cientificismo.
João Machado de Barros,
prefeito de Barretos entre 1914 a 1917.
(Fonte: galeria de prefeitos
do Museu "Ruy Menezes")
Osório Rocha, descreve as dificuldades de Anália em nossa cidade naquele ano de 1914: “As associações católicas mostram-se muito contrariadas e lançam boletins de protesto contra D. Anália Franco, que chegara com o propósito de abrir, como abriu, um asilo” (Barretos de Outrora, p. 285). Enaltece ainda, o apoio que a mesma recebeu do Sr. João Machado de Barros (prefeito da cidade e republicano), que “protegeu D. Anália e conseguiu boas instalações numa casa à esquina da rua 6 com a avenida 19” (Reminiscências, vol. 2, p. 11). O apoio da Loja Maçônica “Fraternidade Paulista” à D. Anália Franco, assim como da Sociedade Espírita “25 de Dezembro”, foi também essencial; conforme estudo biográfico sobre a educadora.
Com esta guarida e espaço para apresentação de suas ideias, mesmo com resistência, Anália Franco, com seus 63 anos, instala uma filial do “Asilo-Creche” em Barretos. Vamos conhecer mais sobre ele? [continua].

Bibliografia básica e fontes: 

MONTEIRO, Eduardo Carvalho. Anália Franco: a grande dama da educação brasileira. São Paulo: Madras, 2004.
ROCHA, Osório. Barretos de Outrora. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1954.
ROCHA, Osório (in memorian). Reminiscências, volume II. Ribeirão Preto: Cori Editora, 199(?).
ROCHA, Osório (in memorian). Esboços, volume I. Ribeirão Preto: Cori Editora, 199(?).
A VOZ MATERNAL, periódico oficial da Associação Feminina Beneficente e Instrutiva do Estado de São Paulo, 1903-1905. Acervo do Arquivo do Estado de São Paulo.

Link do artigo no jornal O Diário: 
http://www.odiarioonline.com.br/noticia/79446/BARRETOS-E-ANALIA-FRANCO-PARTE-IV

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

BARRETOS E ANÁLIA FRANCO (PARTE I)

PELA PROFª ESP. KARLA ARMANI MEDEIROS, EM 31 DE OUTUBRO DE 2018, NO JORNAL "O DIÁRIO DE BARRETOS", PÁGINA 2
 
Anália Emília Franco Bastos (1853-1919)
Foto da capa do livro "Anália Franco: a grande dama da
educação brasileira" de Eduardo Carvalho Monteiro (2004).
“É para admirar o altruísmo de D. Anália Franco!... Não desanima! Superando barreiras, calcando obstáculos, caminha sempre firme, modesta, serena, espalhando benefícios [...]. Deus que a proteja... (Angélica Sophocle, O Sertanejo, 10/5/1903, p1).

            É de se admirar as palavras estimadas a uma das maiores educadoras do país, sra. Anália Emília Franco Bastos, no primeiro jornal de nossa cidade. Exemplo que demonstra a ligação desta professora e pedagoga com a história de nossa cidade, a qual se inicia nas páginas de O Sertanejo, se estende pela década de 1910 e a faz tornar-se patronesse de uma de nossas escolas municipais. Vamos conhecer essa relação numa série de artigos?!
            Anália Franco (*Rezende-RJ, 1/2/1853 / +São Paulo-SP, 20/1/1919) é considerada por estudiosos como pioneira na instrução pública feminina, partindo não só para a educação de meninas e órfãs, mas para o acolhimento de mulheres desvalidas e viúvas. Desde o final do século XIX, praticou no estado de SP um trabalho envolvendo Educação, Assistência Social e Cultura voltada às mulheres na capital e interior.
            Filha de mãe professora, formada Normalista em 1875 na capital, Anália Franco tão logo tornou-se professora pública e fundadora da Revista “Álbum das Meninas” (1898). Neste periódico, dedicou-se a escrever sobre a necessidade da educação voltada às mulheres, como meio de erradicar o analfabetismo e promover oportunidades de trabalho contra a pobreza e a favor da emancipação para aquelas que assim optassem. Um trabalho feminista, de cunho caritativo e religioso (espírita), em pleno século XIX e XX.
            Em 1901, junto a senhoras em São Paulo, Anália funda a “Associação Feminina Beneficente e Instrutiva de São Paulo”. Instituição pela qual são criadas 110 unidades de ensino, entre escolas maternais, liceus, escola primária, escola profissionalizante, asilos-creches, colônias educadoras, etc. Sendo os Liceus, responsáveis pela formação das professoras dentro dos métodos pedagógicos da Associação Feminina para numa rede educativa atuarem em todo estado – incluindo a nossa Barretos. [continua].

Bibliografia básica: 
MONTEIRO, Eduardo Carvalho. Anália Franco: a grande dama da educação brasileira. São Paulo: Madras, 2004.
ROCHA, Osório. Barretos de Outrora. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1954.
O SERTANEJO, periódico hebdomadário de Barretos, 1903. Acervo do Museu "Ruy Menezes".


quinta-feira, 18 de outubro de 2018

PELA EDUCAÇÃO (PARTE I)

PELA PROFª ESP. KARLA ARMANI MEDEIROS, EM 17 DE OUTUBRO DE 2018, NO JORNAL "O DIÁRIO DE BARRETOS", PÁGINA 2


Ginásio Municipal de Barretos na década de 40
(Fonte: "Correio de Barretos" 4-11-1943, p.2 -
acervo Museu "Ruy Menezes")

Dr. Osório F. Rocha
(Fonte: "Correio de Barretos, 5/1/1947, p. 1)
Acervo Museu "Ruy Menezes")
     Mais um “15 de outubro” se passou e diversas homenagens foram rendidas a professores de todo país. Profissionais que têm na Educação a bandeira do conhecimento, da cidadania e da transformação social. Talvez o que há de mais belo em ser professor, seja a capacidade de atingir transformações individuais em cada aluno, e, ao mesmo tempo, processos interessantes que podem mudar a sociedade para melhor. Professores são agentes orgânicos de renovações sociais e de cultura. Semeiam e revelam cultura.
Vamos, então, conhecer um exemplo disso voltando os olhos para a história da cidade? Trata-se de um projeto inovador nos anos 1930, encabeçado por um advogado e jornalista, mas que antes de tudo fora professor; dr. Osório F. da Rocha (1885-1976).
Na década de 30, Barretos era dotada de um Grupo Escolar (estadual) para ensino primário e instituições particulares de ensino, mas não possuía “ensino secundário” gratuito (similar ao Ensino Fundamental II) para crianças maiores de 10 anos. Para barretenses continuarem seus estudos após o “primário”, era necessário procurar instituições de outras cidades. Foi o dr. Osório Rocha, João Baroni, Jerônimo Barcellos e outros aliados, os responsáveis em criar a “Sociedade Escolas de Barretos” (SEB) em 1930 e através dela fundar o primeiro ginásio municipal em 1931.
A palavra mais cabível àquele momento é “luta”, visto que Osório deixou registrado em suas “Reminiscências” os tortuosos caminhos que percorreu para conseguir fundar a SEB e viabilizar o ginásio para Barretos. Autoridades municipais não prestavam auxílio, alguns diziam que não era necessário pelo fato da vizinha Bebedouro já possuir o tal “ensino secundário”. Assim ele contava: “Escrevi artigos, fiz discursos, versos, procurei um e outro, [...]. Nada disso impressionava, nada abalava o cimento armado da indiferença, do egoísmo, da apatia barretense (Reminiscências, Vol 2, p. 120).
Quais outros mecanismos Osório Rocha e os aliados da SEB tiveram que articular para conseguir a instalação do curso ginasial na cidade? Veremos na próxima semana.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

O FASCISMO: EUROPA E BRASIL


 ARTIGO PUBLICADO PELA PROFª ESP. KARLA O. ARMANI, EM MAIO DE 2013, NO JORNAL "O DIÁRIO DE BARRETOS"

            Existe um assunto que muito chama a atenção dos alunos nas aulas de História: a 2ª Guerra Mundial e seus regimes totalitaristas. Por conta de um conhecimento prévio do assunto, que os alunos adquirem por meio de filmes, jogos e livros, os mesmos se sentem “atraídos” por esse período e naturalmente concentram-se mais nas aulas. Talvez, esse grande interesse se deve à proximidade daquela época com a nossa; afinal somente cerca de sete décadas nos separam daquele passado, e também por causa dos crimes, torturas e ações dos regimes de ditadura que tanto espanto nos causam até hoje.
            Para analisar o período da tão conhecida “2ª Guerra Mundial”, é necessário compreender a ação dos regimes totalitaristas da Europa neste interim. O nazismo é o mais conhecido deles, por causa do horror do holocausto e os desmandos de Hitler. No entanto, o Fascismo também é muito expressivo para a época, uma vez que inspirou ações políticas de ditadura na Europa (Portugal, Espanha, Turquia) e fora dela.
            O Fascismo era originário da Itália e tinha como líder (duce) Benito Mussolini, que consolidou este movimento político a partir de 1919 com a criação do movimento político “Fascio di Combattimento”. A monumentalidade do fascismo era vigente principalmente em seus desfiles cívicos, paradas militares (com os “camisas negras”), pronunciamentos do duce e comícios. Havia também a preocupação em manter a atuação do regime usando propagandas inflamadas no rádio e no cinema.  
As características do Fascismo são diversas, mas se baseiam principalmente no nacionalismo exacerbado, nas intenções imperialistas e na sociedade militarizada. Além da rejeição declarada ao liberalismo econômico, à democracia e ao comunismo.
            Todos estes aspectos foram visíveis em ações patrióticas e ditatoriais em lugares como o Brasil. Haja vista, a exaltação à pátria exercida em desfiles e discursos na época do presidente Getúlio Vargas nos anos 1930. Desta maneira, quando se fala a respeito do fascismo aos alunos na sala de aula, é possível usar desta “atração” que os mesmos sentem pelo assunto e fazer disso uma ponte para entender a História do Brasil.

domingo, 9 de dezembro de 2012

CONSCIÊNCIA NEGRA: REFLEXÕES


ARTIGO PUBLICADO PELA PROFª ESP. KARLA O. ARMANI, EM 18 DE NOVEMBRO DE 2012 NO JORNAL "O DIÁRIO DE BARRETOS"


            Na semana da “Consciência Negra” é comum refletirmos sobre o passado da comunidade negra e, principalmente, sobre suas conquistas na sociedade. Assim, falar a respeito da inserção dos negros no atual mercado de trabalho, bem como seu acesso à saúde, educação e moradia são assuntos discutidos neste período. Mas, e na escola? Como trabalhar a semana da Consciência Negra? O que a sala de aula pode trazer de reflexão aos alunos a respeito disso?
            As aulas de História, assim como as outras áreas das ciências humanas, têm muito a oferecer sobre este assunto; afinal não há nada melhor que estudar o passado, a cultura e a memória para se refletir sobre as problemáticas atuais. Deste modo, discutir a respeito não só da escravidão, das fugas e das punições são questões importantes sobre a consciência negra; mas, principalmente, pensar sobre as africanidades, as heranças culturais e as contribuições dos negros.
            Além do mais, tratar destas questões é algo definido por lei federal no Brasil (lei 10.693/03), onde o ensino de História insere em seu currículo a “história e cultura afro-brasileira e africana” como parte integrante da disciplina de História. Neste sentido, o professor de História deve trabalhar com os alunos a trajetória da cultura africana e sua relação com a afro-brasileira. Na prática, estes conceitos podem ser desenvolvidos com os alunos dos 6º, 7º, 8º e 9º anos, haja vista que são nestes períodos que são trabalhados respectivamente os conteúdos referentes à África na Antiguidade, Islamismo, Grandes Navegações, Colonialismo, Tráfico, Escravidão no Brasil, Resistência e Quilombos, Revoltas, Leis Abolicionistas, Abolição, heranças culturais, Imperialismo, Descolonização e Movimentos de Libertação Nacional.
Em todos os ciclos escolares, mesmo com o “tempo apertado”, é possível que o professor de História sempre trabalhe os conteúdos da história africana e afro-brasileira, para que o aluno construa em sua mentalidade a importância da contribuição africana na história do nosso país e a presença do elemento africano em nossa cultura. Sendo assim, fica visível, e até “natural”, pensar que não há Brasil sem África, visto que foi do continente africano que saiu grande parte daquilo que chamamos de cultura brasileira.
É por essas e outras, que o 1º artigo da lei 10.639/03 declara a importância do estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil”. Logo, através do estudo da cultura africana e afro-brasileira, que a História pode contribuir como reflexão na semana da “Consciência Negra”.

AO DIA DO PROFESSOR



ARTIGO PUBLICADO PELA PROFª ESP. KARLA O. ARMANI, EM 14 DE OUTUBRO DE 2012 NO JORNAL "O DIÁRIO DE BARRETOS"



            15 de outubro, o dia do professor. Uma profissão que no passado ocupava mais nobre titulação e respeito por parte da sociedade. Sabe-se que as condições da profissão do “professor” atualmente são mais delicadas, principalmente no que diz respeito à jornada de trabalho, salários, titulações e tarefas complementares. Mas, o objetivo deste artigo não é falar destes problemas (que são demasiados graves), e sim homenagear uma das mais antigas e importantes profissões do mundo: a do educador.
            Nos últimos tempos, as redes sociais cada vez mais circulam imagens e textos fazendo menção à profissão do professor como algo negativo e decadente, por conta dos problemas da educação no Brasil. Estas críticas, na visão do senso comum, em vez de levar à reflexão sobre a situação do professor, acabam por somente desvalorizá-lo. Porém, muitos se esquecem que sem o professor não há a formação de nenhum profissional, pois desde o ensino fundamental ao superior, é necessário a atuação deste. E essa necessidade não é algo que vale somente para o fim profissional, mas principalmente à formação do cidadão.
            Todo indivíduo formado em alguma “licenciatura” promete, no dia da formatura, “formar cidadãos”, independente da área de atuação. E este é o principal papel do professor, é com ele que o aluno aprende seus direitos e deveres, a transformar a sociedade de acordo com suas pequenas ações, a viver em comunidade, a conhecer seu espaço, a preservar os bens públicos, a se reconhecer como pertencente a uma certa identidade coletiva, dentre outras coisas. Além, é claro, de ser o professor também o responsável pela aprendizagem nas diversas áreas do conhecimento: ciências humanas, exatas e biológicas. Sendo importante lembrar que, a cidadania passada pelo professor não é sinônimo de educação moral, esta é responsabilidade da família.
            Desta forma, a presença do professor em sala de aula é de suma importância para a aprendizagem do aluno afim de que sempre haja uma “troca” entre os dois, de experiência por parte do professor e de curiosidade por parte do aluno. Assim, a curiosidade e a vontade de aprender do aluno é o que move a atividade do professor, que, através de sua experiência, consegue construir o conhecimento. Às vezes, algumas críticas sobre o futuro acreditam que um dia a profissão do professor irá acabar, em decorrência da desvalorização de sua figura perante à sociedade. Mas, se isso acontecesse, como seriam formados os cidadãos? Como aconteceria a transmissão e a troca de conhecimentos para com o aluno? Quem iria intermediar esta relação?
            O “humanismo” talvez seja a característica mais presente na profissão do professor, afinal não há maneira de ensinar e aprender sem o contato com o aluno, a amizade, o companheirismo, o respeito e a cordialidade. Ensinar, aprender, trocar, formar e construir, são as ações que o professor mais realiza dentro da sua profissão. Tudo isso, regado de muito humanismo, ousadia, coragem e determinação, que, incansavelmente, o professor desperta em si mesmo a cada dia, desde as 6 horas da manhã. Feliz dia dos professores a todos aqueles, que como eu, se orgulham de ter a profissão que forma as demais! Congratulações àqueles que acreditam na educação!

sábado, 19 de maio de 2012

NA REALIDADE DOS ALUNOS: HISTÓRIA LOCAL E REGIONAL




ARTIGO PUBLICADO PELA PROFª KARLA O. ARMANI NO JORNAL "O DIÁRIO DE BARRETOS" EM 13 DE MAIO DE 2012

            Leitor amigo, já reparou que os livros didáticos de História, apesar das mudanças graduais, não apresentam reflexões a respeito da história local e regional? Certamente, os motivos que sondam esta questão são muitos e, dentre eles, está o fato da disciplina de História ser por demais pesada em conteúdo e apresentar pouca carga horária na escola. Apesar disso, a história local e regional, mesmo que sintetizada, pode sim ser trabalhada em sala de aula pelo professor. Para entender melhor sobre sua aplicação escolar, vamos entender um pouco sobre como ela é composta.
            A história local e regional é conhecida também como “história dos lugares” por se relacionar, sobretudo, com o “espaço”. Um espaço pormenorizado, diga-se de passagem. Nesse sentido, o espaço nela tratado não se refere somente ao meio físico ou a divisões administrativas (municípios, distritos, etc), mas a um espaço de pessoas com experiências múltiplas, de memórias coletivas e de resistências. O “lugar” então pode ser uma cidade, um bairro, uma instituição ou uma região com determinadas práticas em comum. Desta maneira, este espaço é estudado pelo historiador como um meio onde são analisadas vivências comuns que, compartilhadas pelas pessoas, podem ser comparadas ao contexto da história nacional e até mundial.
            Mas, como a história não se relaciona só com o espaço, falemos então agora do “tempo”. Este, para a história local e regional, é o fator determinante do estudo histórico, uma vez que o tempo do local não é particular, ou seja, não segue o mesmo ritmo que os outros lugares. Assim, por exemplo, o historiador pode analisar como uma comunidade possuía uma prática econômica que não era a predominante no país (ex: “trabalho industrial” nas metrópoles do sudeste e “artesanal” no interior do Brasil). Desta feita, a história local e regional evita as generalizações, demonstrando os vários ângulos de uma mesma época.
Paralelo a isso, professor de História pode utilizar destas pesquisas dentro do conteúdo histórico do Brasil, principalmente aquele referente ao século XX. Ao analisar contextos sobre a economia brasileira, por exemplo, os professores podem demonstrar documentos de indústrias na cidade em determinadas épocas ou propagandas de casas comerciais. Na questão dos conflitos armados, podem ser utilizados depoimentos orais de ex-combatentes da Revolução de 1932 ou da Segunda Guerra.
A história local e regional, certamente, desperta nos alunos uma “identidade coletiva”, uma memória em comum. Ao contextualizar monumentos, praças públicas ou instituições da cidade, o professor aproxima a história da realidade dos alunos. Então, estes lugares passam a ter sentido e utilidade para os mesmos. Isto acarreta também na conscientização de preservação dos patrimônios históricos das cidades, que passam a ser defendidos pelos educandos. Enfim, existem muitas vantagens no ensino da história local e regional dentro da sala de aula, mesmo que adaptada à grade e aos horários apertados. Que ela possa ser difundida cada vez mais nas escolas! 

segunda-feira, 30 de abril de 2012

LIVROS DIDÁTICOS: FORMADOR DE OPINIÕES

ARTIGO PUBLICADO PELA PROFª KARLA O. ARMANI NO JORNAL "O DIÁRIO DE BARRETOS" EM 15 DE ABRIL DE 2012


            Já disse o mestre Érico Verissimo: “Os livros escolares, cujo objetivo é ensinar-nos a história da nossa terra e do nosso povo, são em geral escritos num espírito maniqueísta, seguindo as clássicas antíteses – os bons e os maus, os heróis e os covardes, os santos e os bandidos. Via de regra, não se empregam nesses compêndios as cores intermediárias, pois seus autores parecem desconhecer a virtude dos matizes e o truísmo de que a História não pode ser escrita apenas em preto e branco”.
            A frase de Verissimo leva-nos a uma reflexão sobre a composição do livro-didático e sua importância como formador de opinião dos indivíduos de uma sociedade. Em História, o livro-didático é de extrema relevância no sentido de que leva o aluno a entender os momentos da história de seu país e a formação da cultura do povo a que pertence. Além de promover a interação com a memória de seus antepassados.
            Verissimo aborda o problema de parte dos livros-didáticos de História que insistem em compor uma história maniqueísta, ou seja, de personagens que ou são bons ou são maus. Sem intermediações. Muitas vezes, essa visão unilateral da história coloca, por exemplo, o bandeirante como o herói e o índio como o “manso”; ou o senhor feudal como “mau” e o servo como “bom”; ou ainda o escravo como “covarde” e o senhor de engenho como “torturador”. Esse tipo de composição acontecia, predominantemente, há algumas décadas atrás, mas ainda hoje alguns livros continuam a ser compostos assim. Isso porque estamos inseridos numa sociedade que exige extrair a “verdade” das ciências, inclusive as “humanas”, e por isso orienta-nos a uma falsa moralidade.
            Ora se a História fosse composta desta forma maniqueísta, ela tenderia expressamente à parcialidade, e assim perderia seu caráter de ciência. Não que a história consiga ser por inteira imparcial, mas a intenção é sempre demonstrar os vários ângulos de um fato. É necessário entender que o fato histórico existe, o problema é o modo como ele é contado, revisto e analisado em cada época pelos historiadores. O exemplo mais comum é o dos bandeirantes, que no passado eram vistos como heróis (desbravadores do sertão, como bem mostra o Hino de Barretos), e nas visões atuais da historiografia, são apontadas, sobretudo, suas ações de matança e violência contra a população indígena. Esta versão o afasta de qualquer tipo de heroísmo, mas por outro lado pode cair no truque maniqueísta de colocá-lo como o “mau” da história.
            Desta feita, não existe uma verdade única e acabada que proporcionaria à história um passado pronto e fechado. Doce ilusão. Cabe ao professor de História, gerar a reflexão dos fatos, mostrar as “cores intermediárias” da História, que seriam, por exemplo, as várias versões de historiadores (claro, que traduzidas de maneira acessível aos alunos). Enfim, aquilo que o livro-didático aborda como tema é o resultado de uma visão, uma escolha de determinada época. É o que a historiografia ditava como mais próximo do passado e jamais o alcance imediato deste. O livro-didático forma opiniões e, por isso, devia ser mais aberto às novas discussões.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O ADVENTO DA REPÚBLICA: GRUPOS ESCOLARES


ARTIGO PUBLICADO PELA PROFª KARLA O. ARMANI NO JORNAL "O DIÁRIO DE BARRETOS" NO DIA 9 DE DEZEMBRO DE 2011

            Quando proclamada, apesar de não mudar o cenário das representações políticas, a República brasileira fez surgir novas instituições nos confins do país. O Estado mais atingido pelas mudanças republicanas foi São Paulo, uma vez que o café assegurava poder aquisitivo para tais modernidades. O ponto de partida para transformar uma província “mofada” do Império em um Estado “moderno” republicano, era a implantação de um sistema educacional que garantisse acesso as mais isoladas localidades. Nasciam, assim, os grupos escolares da primeira república, instituições educacionais que, desde 1893, tinham a missão de universalizar o ensino por meio de uma educação padronizada e formação de professores.
            Barretos, então recente comarca, não ficou fora deste projeto e já em 1912 teve seu 1º Grupo Escolar instalado na Praça da República (Praça Francisco Barreto), grupo este que possuía um prédio de arquitetura especialmente desenhada para representar o ideário educacional da república. Pouco mais de vinte anos depois, Barretos já contava com três grupos escolares, além dos grupos escolares do Frigorífico e de Itambé, oito escolas estaduais, quatro escolas municipais e sete escolas particulares em toda sua região. Todas as escolas de Barretos e região pertenciam a Diretoria Regional de Ensino de Jaboticabal e, esta, por sua vez, fazia uma série de visitações e depois registrava os relatórios sobre todas as condições das escolas.
            Sabendo disso, vamos nos ater no ano de 1939, quando o presidente do Brasil era Getúlio Dorneles Vargas e o prefeito de Barretos era Fabio Junqueira Franco. O segundo e o terceiro grupos escolares foram instalados respectivamente em 1935 e 1939, ambos surgiram pelo crescimento de matrículas do 1º grupo escolar que não sustentava mais esta demanda. Em 1912, quando criado, o número de matrículas do 1º grupo foi de 257 alunos, já em 1939 este número foi para 827 alunos, sendo que no grupo só existiam 10 salas de aulas. Além disso, o grupo escolar contava com gabinete dentário, espaço para sopa, assistência médica (na época, pelo pediatra dr. Julio Costa), práticas de escotismo, bibliotecas, apresentação de trabalhos artesanais e de músicas orfeônicas.
            Os grupos escolares de Barretos precisam ser melhores estudados no contexto da primeira república do Brasil, visto que possuem muitas referências sobre a época e particularidades interessantes. Barretos, mais uma vez, se mostrava como uma localidade intrínseca aos acontecimentos da história do Brasil e ser sede de grupos escolares era refletir a modernidade de uma terra, mesmo que isolada. Enfim, aos antigos grupos escolares, que hoje são as escolas estaduais “dr. Antonio Olympio”, “E. Municipal Prof. Fausto Lex e “E. E. Cel Almeida Pinto” o nosso reconhecimento.
           
FONTE: www.arquivoestadosp.gov.br/educacao

HISTÓRIA E CIDADANIA



ARTIGO PUBLICADO PELA PROFª KARLA O. ARMANI NO JORNAL "O DIÁRIO DE BARRETOS" EM 2 DE DEZEMBRO DE 2011

            Leitor amigo, você é da época em que era obrigatório na escola entoar o hino nacional pelo menos uma vez por semana? Já reparou que está prática vem acabando nos últimos tempos? É bem verdade que muitas transformações alcançam a escola de ontem com a escola de hoje, mas talvez uma das mudanças que mais deixam “saudade” é a cerimônia do canto do hino nacional, hino à bandeira e o hino à independência. Isto porque, era um momento em que todas as crianças, professores e funcionários, independente de classe social e religião, juntavam-se em coro para demonstrar o respeito e o amor à pátria.
            Certamente, muitos e diferentes motivos rondam a causa deste costume estar com os dias contados. O motivo de âmbito geral pode ser a esfera da globalização em que vivemos, onde a multiplicidade de informações é tão grande e o contato com diversas culturas é tão intenso que as identidades de cada comunidade perdem-se no tempo. Junto com essa falta de identidade, o patriotismo, que é justamente o contrário – é a honra de um povo unido em prol da pátria, também acaba caindo por terra.
            Outra causa para este descaso, agora um tanto particular, é o próprio ensino de história. De pouco tempo para cá, a história passou a ser ensinada de uma maneira diferente, em vez de mitificar heróis e ideologias dominantes, ela desconstrói estas imagens. É dever do professor, por exemplo, explicar que o hino nacional foi escrito num momento em que os republicanos do Brasil precisavam criar uma identidade ao povo, de modo que os libertasse daquele passado colonial.
            No entanto, isto não significa que o autor só quis construir esta ideia de identidade, não podemos descartar também as idéias de amor e respeito à pátria “amada e idolatrada”. Deste modo, o ensino de história atual pode ser usado a favor da cidadania, que, neste caso é entendida como “um novo patriotismo”, já que é a cidadania que garante o respeito à pátria. Por mais que o patriotismo que se vivenciou no passado não seja o mesmo de hoje, ainda é válido que as escolas possuam o hábito de entoar o hino nacional, estimular os alunos a entenderem sobre os feriados e os símbolos nacionais.
            Do que adianta cantar o hino nacional sem entender suas palavras e o contexto histórico em que foi escrito? Do que adianta ficar em casa no feriado da proclamação da república sem nem saber que evento foi este na história do Brasil? E o Tiradentes, por que ele foi considerado o mártir da independência? Questões como estas jamais podem se perder no cotidiano escolar, visto que são de suma importância para o desenvolvimento de um cidadão em formação. Pois, ser cidadão é conhecer, sobretudo, a história de sua pátria, seus problemas, suas diversidades, suas glórias e toda a cultura que ali foi construída ao longo do tempo.  É assim que história e cidadania andam juntas pela escola!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

TRABALHO TEM QUE DAR TRABALHO



ARTIGO PUBLICADO PELA PROFª KARLA O. ARMANI NO JORNAL "O DIÁRIO DE BARRETOS" EM 2 DE SETEMBRO DE 2011

“À educação cabe fornecer, de algum modo, os mapas de um mundo complexo e constantemente agitado e, ao mesmo tempo, a bússola que permite navegar através dele”. (Jacques Delors)
No início desta semana um programa semanal de televisão abordou a questão da compra de trabalhos escolares por via da internet. Mais uma vez, a internet, que é uma ferramenta revolucionaria no acesso ao saber na Idade Contemporânea, é usada de forma indevida, traiçoeira e para fins negativos. Esta forma errônea de usar a internet é algo que confunde e ofusca os verdadeiros fins da educação, que, entre suas várias missões, está em transformar a informação no verdadeiro conhecimento.
            Se a busca pelo conhecimento é um dos pontos de partida da educação, cabe ao aluno não confundir “informação” com “conhecimento”. A informação é o conceito em si, solto num emaranhado de palavras, e a partir de sua leitura inicial, o constante pensar sobre o conceito e os exercícios de relações e comparações deste conceito com outros é o que gera o conhecimento. O que a maioria dos alunos de hoje precisa entender é que o fato de copiar uma informação sem pensá-la, sem captá-la a sua realidade, sem aplicá-la no seu cotidiano é o que mata toda sua capacidade de ser um educando. O ato restrito de copiar um trabalho anula a aptidão do aluno em escrever, tornando-o incapaz de ser o autor de suas próprias ideias e o construtor de novos saberes.
            Segundo o escritor e pedagogo Jacques Delors, existem quatro pilares básicos da educação, que resumidamente são: aprender a conhecer (o interesse ao conhecimento, aquilo que liberta da ignorância), aprender a fazer (o fato de correr riscos, de ter coragem em executar o conhecimento, de errar na busca de acertar), aprender a conviver (o respeito a todos, à diversidade e o exercício da fraternidade) e aprender a ser (a sensibilidade, a responsabilidade social, a capacidade crítica da realidade, a prática da imaginação).  O ato de se conectar à internet, procurar um trabalho e copiá-lo sem ao menos ler e dar os devidos créditos ao autor, demonstra o desinteresse pelo conhecimento, a falta de coragem em escrever e arriscar-se a errar e tentar novamente, o desrespeito com quem escreveu o texto e a anulação total de sua capacidade crítica, imaginativa e de responsabilidade com sua sociedade.
            Por um lado, na sala de aula o professor é o meio de exposição das informações e o ponto de partida ao conhecimento, afinal é ele quem desperta o interesse no aluno e o encoraja ao risco de errar e acertar, atuando como um mediador. Por outro lado, é o aluno quem constrói o seu conhecimento por meio de seu próprio interesse, coragem e responsabilidade. Todos devemos ser os autores de nossas próprias teses ou divagações, uma vez que o pensar não se limita a si só, ele se materializa em nossa escrita e volta ao nosso espírito como o verdadeiro CONHECIMENTO. Que os nossos alunos façam seus trabalhos escolares como uma construção do saber, pois trabalho tem que dar trabalho!

sábado, 23 de julho de 2011

A GRÉCIA ANTIGA NO PRESENTE




ARTIGO PUBLICADO POR KARLA O. ARMANI NO JORNAL "O DIÁRIO DE BARRETOS" EM 15 DE JULHO DE 2011



Leitores amigos, quando vocês se lembram dos tempos das aulas de história na escola, qual é o principal assunto que lhe vem à mente? Certamente, muitos de vocês responderiam a Grécia Antiga, e por que? Estudar sobre os tempos dos gregos é muito mais do que entender a vida de uma das civilizações mais desenvolvidas da Idade Antiga, é, sobretudo, dialogar com o nosso presente que ainda persevera em absorver elementos da tradição grega. Ainda mais, são esses aspectos, intercâmbios entre passado e o presente, que fazem os alunos encontrar um fim útil em estudar história e a valorizarem como ciência.
Se dermos asas à imaginação e mentalizarmos quais são os aspectos gregos ainda presentes em nossa cultura, logo apareceriam o teatro, as olimpíadas, a filosofia, a matemática, a história, algumas expressões do cotidiano e o sistema político atual: a democracia. Além disso, o nosso alfabeto originário do latim possui sua gênese no grego antigo, visto que grande parte das palavras que utilizamos no dia-a-dia possui radicais gregos. Por tal permanência nas sociedades ocidentais ao longo dos dois últimos milênios, os elementos culturais gregos são conhecidos por nós como “clássicos”, ou seja, aquilo que nos é habitual, tradicional e permanente.
A mitologia grega, um assunto benquisto pela maioria dos alunos, ainda é de certa forma presente por conta de algumas expressões que adotamos em nosso cotidiano. Como exemplo, quando se fala sobre o ponto fraco de alguém ou de uma situação específica logo aparece o dito “calcanhar-de-Aquiles”; se o trabalho de um dia foi muito cansativo e árduo ele passa a ser chamado de “trabalho de Hércules”; ou se durante o dia aparece uma surpresa que pode ser desagradável ela é conhecida como um “presente de grego”.
Na Antiguidade, a Grécia se destacou como uma civilização que produziu muito conhecimento em várias áreas do saber, a começar pela filosofia. Esta, por sua vez, nasceu do questionamento da realidade explicada até então pela mitologia, onde as razões para os fenômenos climáticos, por exemplo, estavam na fúria ou na alegria dos deuses. Assim, os primeiros filósofos questionavam a natureza, o ser humano e até mesmo a política como assuntos rotineiros praticados ao ar livre. As principais atividades gregas praticadas Antiguidade e que são conhecidas por nós, do presente, nasceram em Atenas, a cidade-Estado grega que mais valorizou o ato de pensar,  filosofar e discutir política. Em Atenas, entre os séculos VII a.C e VI a.C, nasceu o teatro dividido em dois gêneros: a tragédia e a comédia, e a democracia como uma nova prática política eternizada pelos gregos que almejavam uma sociedade mais igualitária entre aqueles que eram considerados cidadãos.
            Enfim, quantos aspectos da cultura e da vida grega de milênios atrás ainda perpetuam em nosso modo de pensar, falar e viver? Tudo isso só nos faz pensar em uma coisa: estudar o passado é imaginá-lo, senti-lo e enxergá-lo da maneira mais clara possível daqui, do nosso presente.

quarta-feira, 23 de março de 2011

O JAPÃO NA MÍDIA E OS DIÁLOGOS NAS ESCOLAS



ARTIGO PUBLICADO POR KARLA O. ARMANI NO JORNAL "O DIÁRIO DE BARRETOS", EM 18 DE MARÇO DE 2011


            Pessoas do mundo inteiro se comoveram com a tragédia que devastou as cidades litorâneas do Japão, abaladas por terremotos e tsunami nesta última semana. Os japoneses, que bem conhecem e convivem com tremores quase que diariamente, foram surpreendidos por um terremoto de 8.9 na Escala Richter e um tsunami devastador na área litorânea. Os efeitos de tal tragédia climática não só causaram destruições materiais, bem como a morte de milhares de pessoas e riscos de explosões de usinas nucleares. Depois de vinte e cinco anos do acidente na usina de Chernobyl, na Ucrânia, não muito distante, parte do continente asiático se assusta com a possibilidade de maiores contaminações radioativas decorrentes de acidentes em usinas.
            Com todos estes acontecimentos, acidentes, possibilidades e prevenções, a mídia televisiva enfoca seus anúncios em entrevistas com geógrafos, sismólogos, químicos, historiadores, ambientalistas e psicólogos, tudo para entender a tragédia climática em si e seus efeitos materiais e morais na vida das pessoas. Nesse sentido, assuntos sobre terremotos e tsunamis passam a fazer parte da vida das pessoas, que passam a acreditar que tais fenômenos estão ocorrendo com mais freqüência nos últimos anos, quando na verdade a globalização e a mídia sem fronteiras são as responsáveis pela grande bagagem de informações que o tempo todo rondam nossas vidas.
            Deste modo, a acessibilidade em discutir tais assuntos tornou-se comum em vários momentos de nosso cotidiano, inclusive em uma conversa de esquina com o vizinho a até em diálogos na sala de aula. E é exatamente na escola que o assunto pode despertar o que os pedagogos contemporâneos adoram e denominam “interdisciplinaridade”, mostrando quão próxima é a relação do nosso cotidiano com o papel das disciplinas escolares. Em outras palavras, diante um assunto tão atual, professores de geografia, história, matemática, português e outros podem trabalhar em conjunto, mesmo que num curto espaço de tempo, demonstrando ao aluno que um assunto atual e rotineiro pode ser discutido em todas as disciplinas.
            Assim sendo, o professor de geografia pode explicar sobre os significados de abalos sísmicos, porque acontecem e como podem ser evitados e estudados através da escala Richter. Como se trata de uma escala de princípios logarítmicos, entra em cena o professor de matemática explicando suas determinadas funções. Para estudar sobre os possíveis efeitos físicos destes abalos, é solicitada a explicação dos professores de química, física, biologia ou ciências. E ao professor de história é dada a função de contextualizar os principais fenômenos climáticos ocorridos ao longo do tempo que resultaram em novas condições históricas e sociais a populações de todo o mundo. Sendo tudo isso sintetizado em uma bela redação avaliada pelo professor de português.
            Enfim, mesmo a mídia sendo muitas vezes sensacionalista, as informações destacadas por ela podem gerar estímulos e curiosidades a certos assuntos que são revertidos para dentro da sala de aula. Fato que coloca a escola num patamar muito próximo a nossa própria realidade.
Ao povo japonês a nossa solidariedade.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

EXPERIÊNCIAS DE UMA PROFESSORA

ARTIGO PUBLICADO POR KARLA O. ARMANI NO JORNAL "O DIÁRIO DE BARRETOS" EM 17 DE DEZEMBRO DE 2010.



Nesta época do ano tornou-se comum para muitas pessoas a prática de refletir sobre os erros e as conquistas galgadas durante o ano que finda. O mês de dezembro incita-nos a reflexões, talvez pela grande quantidade de mensagens que recebemos dos amigos, o fato é que nesta época do ano muitas pessoas buscam o auto-conhecimento. Para os religiosos o momento é propicio para agradecimentos e orações, para aqueles que trabalham demais a época é boa para tirar férias, para os recém-formados o período é favorável a planejamentos e para mim, professora há um ano, o momento é de pura reflexão. Desta maneira, tomando a liberdade de escrever um artigo em primeira pessoa, gostaria de fazer uma breve retrospectiva das experiências novas que vivenciei neste ano e compartilhá-las de com os leitores amigos.
Assim que terminei a faculdade de História bateu o desespero. Pensei: “E agora? Professora?”. Mas, ao contrário do que possa parecer, a minha dúvida não era se eu seria professora em 2010 e sim se eu estaria preparada para ser professora em 2010, pois ensinar é sobretudo um ofício que exige dedicação e paciência. Sai da faculdade com a cabeça fresca cheia de ideais inovadores, buscando aplicar os ensinamentos do mestre Paulo Freire e, neste sentido, eu refletia: “Como ensinar os conceitos de História, as noções de cidadania e ética e estimular o respeito ao próximo e a prática do amor?”. Sim, porque é na escola que aprendemos tudo isso e era isso que eu precisava ensinar, incentivar e disseminar entre meus alunos. Afinal ser Professora de História não é só ensinar História, é ir além disso, é usar o passado para atingir a vida cotidiana dos jovens e transgredi-los à cidadania, a convivência social, ao respeito, ao amor.
Eu tinha noção do tamanho da minha responsabilidade, posto que incentivar os jovens de hoje a valorizar o estudo do passado e preservá-lo não seria nada fácil. Muitos destes jovens não conseguem enxergar a importância de se estudar História e cabia a mim não só fazê-los valorizar a disciplina, bem como ensiná-la de um modo fácil e acessível. O meu maior medo era a falta de experiência, mas, esta eu conquistei aos poucos e hoje as divido com vocês. De uma professora inexperiente há um ano, hoje tenho algo a dizer.
Percebi que tudo isso faz parte de um processo e eu apenas iniciei este processo. Confesso que a sala de aula nunca é aquilo que imaginamos quando se sai da faculdade, mas é uma aventura insaciável. Passei dias preparando a primeira aula e até a última me dediquei ao máximo para preencher a falta de experiência. Hoje vejo que foi esta preocupação com a experiência que me faz capaz de dizer, sinceramente, que ser professora, hoje, é difícil sim, mas, não há outra profissão no mundo que desperte tão profundo os valores humanos. São em pequenos gestos no dia-a-dia como os “bom dia”, o saber ouvir, saber esperar, saber falar, as broncas necessárias e os debates críticos que fazemos grandes homens e grandes mulheres. Aos meus colegas e meus alunos, o meu reconhecimento neste ano de 2010.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

ENTRE AS PEDRAS... EIS O EDUCADOR!

“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho” já dizia a poesia do sábio Carlos Drummond de Andrade, que se adapta a realidade de muitos profissionais de diversos setores do Brasil. Entre estes estão a classe dos professores, ou melhor dizendo “educadores”, nos quais são os profissionais que contribuem com a transformação da realidade que nos cercam. Mas, para conseguir tal efeito é necessário ultrapassar as “pedras” que impedem o sucesso do processo de ensino-aprendizagem e driblar os obstáculos do cotidiano educacional.
As “pedras” que os educadores precisam enfrentar vão desde o sistema educacional brasileiro que aprova a “progressão continuada”, a infra-estrutura muitas vezes falha das escolas, a ausência de consciência de seus colegas enquanto “classe”, a triste falta de interesses de alguns alunos e a carência de tempo para progredir e atualizar seus estudos. Além disso, os profissionais da educação não possuem um específico Código de Ética de trabalho e ainda enfrentam as críticas originárias de pessoas que não vivenciam o cotidiano da sala de aula e não sabem de fato como é a “prática” docente.
A denominação do profissional da educação modificou-se com o passar dos tempos, quando na ditadura militar era conhecido como “mestre” e nos tempos atuais a tendência é o “educador”. Esta mudança de termos que parece tão simples, na verdade conota a verdadeira atividade do educador, onde este profissional age com a intenção de transformar a realidade dos alunos através de práticas pedagógicas previamente estudadas. Nesta nova abordagem, o educador é o mediador entre o conhecimento acadêmico e o saber escolar, fato que, diga-se de passagem, não é nada fácil de concretizar, pois exige uma habilidade extensa acerca da linguagem acadêmica e o vocabulário na sala de aula.
Por todos estes fatores, parabenizo a todos os educadores, àqueles que puderam comemorar ontem, seu dia 15 de outubro, refletindo ou mesmo trabalhando. Ao eterno “mestre” e educador de hoje, que mesmo entre as pedras no caminho da educação, conseguem exceder os problemas e atingir firmemente seus objetivos: EDUCAR – cultivar a sabedoria e sempre aprender com ela. Àqueles que hoje estão desanimados com a profissão, que voltem ao âmago do início da carreira, quando queriam revolucionar o mundo através de suas palavras; àqueles que reinventam maneiras de reeducar os alunos e finalmente àqueles que nos ensinam a ter consciência humana através da leitura, pois é graças a eles que conseguimos chegar até aqui e ler estas poucas linhas. O educador possui um poder inigualável e Carlos Drummond sabia disso... que continuem a caminhar entre as pedras, já que se não fossem elas talvez não sentiríamos o quão belo é educar!

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO" (BARRETOS/SP), EM 16 DE OUTUBRO DE 2009.