sexta-feira, 28 de agosto de 2009

AO CAMPEÃO OSMAR MARCHI



“Osmar Marchi de São Paulo, não teve animal para jogá-lo no chão”
(Música de “Os Jassanãs” – Primeiro Rodeio Furacão)


No clima do mês de agosto, o Museu Histórico, Artístico e Folclórico “Ruy Menezes” apresenta a Exposição “Paixão sem limites” em homenagem ao bicampeão de rodeio em Barretos, Osmar Marchi. A exposição foi aberta no último dia 15 e permanecerá no local até o dia 30 de agosto. Na abertura aconteceram muitos momentos emocionantes como o encantador toque do berrante, declamação de poesias, música caipira ao vivo e inúmeras homenagens sinceras a Seu Osmar. Seus olhos brilhavam...
Mas, se existiu algo que chamou muita atenção em todo momento foram as fotografias. Belas fotografias da vida de um dos maiores e autênticos peões paulistas, que, depois de identificadas por Seu Osmar pareciam falar por si só. É de se admirar a biografia deste barretense no alto de seus 70 anos, casado com a carinhosa Dona Fátima, pai de Rosemeire, Fabiana e Osmar Filho (também peão) e avô de cinco netas.
As primeiras imagens apresentam Osmar Marchi com 17 anos quando era jóquei e já demonstram a habilidade e a paixão do peão pelos animais. Só deixou de ser jóquei quando ganhou peso, mas continuou sua lida com os animais. Sua primeira participação no rodeio foi em 1964 e ficou em terceiro lugar. As fotografias da década de 60 apontam Osmar Marchi como um peão sereno, vencedor de dois rodeios em Barretos nos anos consecutivos de 1966 e 1967.
Contudo, são as fotografias da década de 70 que marcam Osmar como um peão maduro e valente. As figuras lembram aqueles filmes de “bang-bang” e “faroeste”, com a iluminação amarelada, os peões com suas típicas indumentárias, sem faltar o lenço no pescoço, chapéu, botas de couro e fivela, além da pose com as mãos no bolso da calça, a expressão séria do rosto e os bigodes muito bem definidos.
O famoso peão que foi campeão de rodeio em mais de vinte cidades, despediu-se da profissão em 1979, entretanto, nunca deixou de trabalhar neste ambiente de fazendas e animais. Atualmente, Osmar Marchi é um homem experiente, religioso, muito simpático e dono de histórias sensacionais. Parabéns ao grande campeão de ontem, hoje e sempre, Osmar Marchi, a lenda do rodeio barretense.
Leitores, visitem a Exposição, vale a pena!

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO" (BARRETOS/S), EM 21 DE AGOSTO DE 2009.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

FASES E FACES DO CIGARRO



Todos sabem que há uma semana atrás tornou-se válida no Estado de SP a Lei Antifumo, proibindo o fumo em ambientes fechados de uso coletivo. Os fumantes que nos desculpem em não parar de falar nisso, mas, depois de um século das mais diversas propagandas em favor do tabaco, o cigarro finalmente passa a ser visto como grande inimigo de nossa saúde e o respeito aos não-fumantes invade o cenário paulista.
Já dizia o ditado “A propaganda é a alma do negócio” e com este lema a indústria do tabaco atingiu seus tempos de êxtase durante a segunda metade do século XX. Nesta época, a mentalidade dominante era buscar o estilo de vida “luxuoso” para uns ou “libertário” para outros, então a publicidade aproveita desta vontade humana para vender, em primeiro lugar, a ideia do estilo de vida que procuravam e, depois, o produto.
O público fumante se expandia, ainda mais na época da Ditadura Militar, onde os jovens expressavam seus atos de liberdade e fumar livremente era um deles. Mas, o maior público-alvo da publicidade do cigarro foram as mulheres! Era necessário conquistar o imaginário feminino e as marcas dos “cigarrettes” lançavam em seus cartazes imagens de bebês robustos e sadios! Além disso, eram sempre destacados os slogans de que fumar emagrecia, com isso, as mulheres sentiam-se mais próximas e seduzidas pelo produto. Fumar era o seu charme.
Nas décadas de 70 e 80, as imagens de modelos famosas, artistas do cinema antigo como John Wayne, personagens como “Papai-Noel” e profissionais como médicos e dentistas também eram fortes atrativos e referenciais nas propagandas. A partir dos anos 90, a preocupação com a saúde pública foi maior e as propagandas tabagistas perderam seus dias de glória. De anúncios coloridos e alegres, os maços de cigarro passaram a exibir imagens de pessoas gravemente doentes e debilitadas por conta do fumo.
Nos dias de hoje um novo passo foi alcançado, a Lei Antifumo, agora não só a preocupação com o fumante foi pensada, como também o respeito com o não-fumante foi garantido. Para alguns esta lei parece um fracasso, mas se não acreditarmos no apreço dos paulistas, que tipo de cidadãos somos nós? Do mesmo modo como nos acostumamos a usar cinto de segurança, cumpriremos também esta lei. Assim como a mentalidade a propaganda mudou, fumar não é mais bonito, é nocivo e desagradável. A verdadeira face do cigarro veio à tona e a nova propaganda é “Fumar agora, só lá fora”.

REFERÊNCIA: Revista “História Viva” de jul/2009, reportagem de Maria Berenice C. Machado.

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO" (BARRETOS/SP), EM 14 DE AGOSTO DE 2009.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

LUZ, PROJETOR, AÇÃO!




Se existe algo que quase todas as pessoas da geração atual apreciam e algumas têm até como hobby é assistir um bom filme. O cinema reúne tecnologias que incessantemente crescem e surpreendem cada vez mais os limites das artes visuais. Através dele podemos observar lugares e situações que não nos é possível conhecer, além de estimular sempre a nossa imaginação com acontecimentos passados ou futuristas. Ele também brinca com o tempo. Mas, como toda essa tecnologia começou?
A arte da imagem em movimento por muito tempo foi discutida, desde as invenções e experimentos com a câmara escura e a lanterna mágica. Em breve resumo, dizemos que foi no final do século XIX que a ciência óptica alcançou seu maior êxito, pois a Europa fervilhava novas idéias, criações e descobertas. Entre outras coisas, os cientistas desenvolviam máquinas que tiravam fotos em seqüência, que quando expostas rapidamente, davam impressão que as imagens se movimentavam. Contudo, foi com o aumento do tempo das gravações e da capacidade de projetar luz que nasceu a máquina progenitora do cinema: o cinematógrafo.
Criado pelos irmãos franceses e herdeiros de uma indústria fotográfica Auguste e Louis Lumière, o cinematógrafo possibilitou a projeção de filmes para o público, substituindo a ação de várias máquinas fotográficas para registrar um movimento. Em 1895, no Grand Café em Paris, aconteceu a primeira exposição pública de cinema mudo com os filmes de poucos minutos: “A saída dos operários das usinas Lumière”, “O almoço do bebê”, “O mar” e “A chegada do trem na Estação”.
Há quem diga que este último filme causou demasiado espanto nas pessoas, já que elas nunca tinham visto uma projeção de imagem tão grande e tão real, pensaram que o trem fosse de verdade e que iria ultrapassar a projeção e atropelá-las. Este tipo de espanto foi muito comum nesta época, afinal algo “novo” causa espanto em qualquer pessoa e assim é demonstrado nas palavras de Jorge Americano, sobre o cinematógrafo:
“Tinham inventado um retrato que se mexia. Era como se o retrato da gente, balançando na rede, ficasse balançando sempre. Não era como a lanterna mágica, que só mexia quando a gente empurrava um cabinho ao lado. Comprava-se o quadro, pendurava-se na parede e as figurinhas ficavam mexendo sempre, como na hora em que se tirou o retrato”.
O cinematógrafo, por fim, foi uma máquina valiosíssima na evolução das artes visuais e que, literalmente, “iluminou” o cinema mundial. O nosso Museu “Ruy Menezes” possui em seu acervo um belíssimo cinematógrafo da década de 50, que outrora pertenceu a E.E. Cel Almeida Pinto, vale a pena conferir e apreciar!

REFERÊNCIA: www.webcine.com.br
Revista “Nosso Século” de 1981.


ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO" (BARRETOS/SP), EM 07 DE AGOSTO DE 2009.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

DIÁLOGO DOS TEMPOS



Leitores, o que vocês pensam sobre aquela famosa linha do tempo que divide a História somente em marcos importantes? Os acontecimentos políticos de certa forma definiram os períodos da Pré-História, Idade Antiga, Idade Média, Idade Moderna e Idade Contemporânea. O período anterior ao surgimento da escrita humana ficou conhecido como “Pré-História”, como se nesta ocasião o homem não fizesse parte da história, descartando o significado de História como o estudo do homem e sua relação com as transformações do tempo.
Posteriormente, os marcos políticos e digam-se de passagem, europeus, tornaram-se os fatores desencadeadores de um tempo passado para o futuro. É como se o fim do Império Romano do Ocidente, a queda de Constantinopla e a Revolução Francesa ditassem o fim de uma era e de repente regessem as regras da nova geração. É claro que estes fatos foram importantes e até desenvolveram novos hábitos à humanidade, a própria Revolução Francesa irradiou seus ideais em várias partes do mundo. Mas, o que de fato move o tempo da História e faz com que surja uma nova era?
Esta questão é discutida há muito tempo e gera inúmeras reflexões, entretanto, vamos nos ater à “mentalidade” do homem, aquilo que muda mais lentamente, a resistência muda das coisas, as idéias, a cultura, a tradição. Este é o ponto que explica alguns hábitos que possuímos hoje e que surgiram num passado muito distante, porque independente do tempo histórico que vivemos somos parte da mesma espécie e compartilhamos dos mesmos costumes. Por exemplo, em vários momentos da história existiram homens e mulheres que desafiaram a mentalidade de uma época e inovaram seu próprio meio. Entre muitos estão, Jesus Cristo, Alexandre O Grande, Galileu Galilei, Joana D´Arc, Marie Curie, Santos Dumont, Einsten, Gandhi, Che Guevara e outros revolucionários.
Estes exemplos mostram que nenhuma era é mais ou menos atrasada ou adiantada que outra, o tempo não é linear e continuo, pelo contrário, é circular e complexo. Hoje, e quiçá no futuro, temos e teremos hábitos que foram originados na Idade Média ou até antes, como o casamento, a música, a desigualdade social e a tradição da religiosidade humana. Estas práticas são baseadas em fatores ligados desde a divisão social do trabalho até uma desenfreada tendência de moda.
Porquanto, a História, através do estudo das mentalidades, permite um diálogo entre os tempos passado, presente e futuro a fim de que possamos conhecer deveras os pontos em comum dos homens. O que marca a história não é o “fato em si” e sim a junção deste com o próprio homem que transforma a mentalidade da sua era, atualiza o seu meio e expande seus horizontes.

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO" (BARRETOS/SP), EM 31 DE JULHO DE 2009.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

O INESQUECÍVEL JOÃO FALCÃO



De um lado a poesia, o verbo, a saudade.
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim.
E o fim é belo incerto, depende de como você vê. (O Teatro Mágico).


Os amigos e familiares do saudoso João Falcão sabem que no próximo dia 27 de julho ele comemoraria seus 102 anos. Estas linhas, pois, fazem jus à singela homenagem póstuma sobre uma pequena parte de sua biografia, mais voltada para o teatro, para que as pessoas que não o conheceram também possam contemplar sua história de vida. Eis a biografia de João Falcão, uma trajetória que atravessou a linha do tempo em oitenta e quatro longos anos que honradamente marcou a história de Barretos. João Falcão nasceu em Bebedouro, no dia 27 de julho de 1907 e com dois meses de idade veio para Barretos com seu pai Sebastião Falcão e sua mãe Bertolina Amélia Falcão. No dia 30 de junho de 1930 se casou com Ana Marques Falcão e desta união nasceram seis filhos: Albíria Tereza, Wladimir, Caiuby, Carlos Marx, Rosa de Luxemburgo e Claudinéia.
O jovem estreou no teatro amador no ano de 1928, com a peça “Falsos Amigos”, encenada na União dos Empregados do Comércio de Barretos, pelo “Grupo Dramático Amor à Arte” de Hildebrando de Araujo. Posteriormente, participou do Corpo Cênico da U.E.C, trabalhando ao lado de Romeu Sessa, Humberto e Carminha Belivacqua e Alonso de Souza. Em seguida, atuou no “Teatro Experimental de Barretos”, no “Teatro do Estudante de Barretos” e no “Teatro Universitário de Barretos”.
Já homem feito, com suas ideologias de esquerda, João Falcão sofreu alguns pesares na década de 60, uma vez que o Brasil passava pelo contexto da sofrível ditadura militar. Desta época, o que pode ser retomado é a criatividade de João quanto aos nomes de seus filhos, nomes de ilustres pensadores e escritores esquerdistas.
Depois de encenar várias peças teatrais ao lado de grandes ícones do teatro barretense como Luiz Carlos Arutim, Dermeval de Almeida, os irmãos Pio e Hugo Toneli, Fioravante Toneli, João Rosa, Eunice Espíndola; em 1976, ao lado de José Antonio Merenda, fundou o “Grupo Teatral Amor à Arte em Barretos”, G.T.A.A.B.
Faleceu em 19 de março de 1991 aos incompletos e raros 84 anos, hoje é patrono do Instituto Cultural “João Falcão” e quase todos os anos sua família recebe homenagens em seu nome.
O jovem, o adulto e o velho João Falcão atravessou o longo tempo do século XX cintilando os palcos teatrais e marcando o coração das pessoas com a arte de seu sempre presente sorriso. Hoje, em 2009, posso dizer que “teatro” era sua vida e “inesquecível” é o seu maior adjetivo. Saudações.

REFERÊNCIA: Documentos e foto do Museu “Ruy Menezes”.

Foto: João Falcão em 1928

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO" (BARRETOS/SP), EM 24 DE JULHO DE 2009.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O REVOLUCIONÁRIO JOÃO ROCHA (II)

Depois de “cutucar a onça com a vara curta”, isto é, tentar persuadir as tropas mineiras com sua astúcia durante a luta de 1932 no Porto do Taboado, João Rocha fez da sua história um exemplo de perseverança. Por isso mesmo, continuo aqui a história da trajetória final de João Rocha na Revolução de 1932 iniciada na semana passada.
Para tentar salvar João Rocha e Pombo, seis outros combatentes também atravessaram o Rio Grande, mas todos foram capturados. Depois de apreendidos, foram amarrados em uma árvore até o momento em que chegaria uma condução que os levasse para Frutal.
Com ameaças de fuzilamento e torturas, os combatentes foram levados respectivamente para Uberaba, Belo Horizonte e para a famosa Ilha das Flores, na capital federal Rio de Janeiro, bem às vistas do presidente Vargas. Neste local, juntaram-se a três mil prisioneiros e “enquanto durou a revolução, os soldados paulistas viveram nessa ilha, cercados por arame eletrificado, dormindo mal e comendo pessimamente, mal vestidos, em geral descalços, mas alegres, bem humorados e maltratando quanto podiam, através de discursos, de músicas e canções que inventavam à Ditadura de Getúlio Vargas” (Jerônimo Barcellos – 1968).
Com o fim da Revolução, a Ilha das Flores foi liberada e o primeiro grupo de prisioneiros, onde estava João Rocha, foi libertado. Separou-se, porém, de seu amigo Pombo. Estava liberto, mas como voltaria para Barretos? Sua aparência não era nada boa, sua roupa estava suja e rasgada, além da fome que sentia. Foi então que, depois de vagar três dias pelas ruas da capital federal, João Rocha colocou sua famosa coragem em prática e escondeu-se debaixo de uma lona de um vagão da Estação Ferroviária Central e com destino a São Paulo viajou clandestinamente. Todavia, a fome falou mais alto nos três dias de viagem e João Batista mostrou-se ao guarda do vagão quando viu o lanche que o mesmo saboreava. Assim, contou tudo ao guarda do trem e teve seu apoio durante a viagem, contou também com a ajuda de muitas pessoas. Até que em 16 de outubro teimosamente alcançou seu objetivo final, chegar a Barretos e ficar entre sua família.
Esta foi a trajetória histórica de João Batista da Rocha, um jovem destemido e ousado que mais tarde se tornou prefeito de Barretos. Seu capacete hoje faz parte do acervo do Museu “Ruy Menezes” e permite uma sensação de “viagem no tempo” quando o vemos, pois está com a marca do tiro que acertou de raspão João Rocha. A revolução de 1932 teve muitos outros combatentes e histórias, que, assim como a de João Rocha causam entusiasmo e expectativa para nós que não vivemos este momento.

REFERÊNCIAS: Documentos do Museu “Ruy Menezes”.

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO" (BARRETOS/SP), EM 17 DE JULHO DE 2009.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O REVOLUCIONÁRIO JOÃO ROCHA (I)



“O povo paulista, nos grandes tormentos,
nos duros momentos, não chora, não geme,
nem sabe ter medo, é como rochedo de puro granito,
que aos ventos não treme”.
(Adão de Carvalho, 1932).


O feriado de nove de julho abre o leque de recordações referentes às causas constitucionalistas da Revolução de 1932 e nos instiga a conhecer mais sobre o assunto. Os motivos pela luta revolucionária foram muito bem definidos pelo Sr. Bezerra Filho, em Barretos, durante a saudação feita em frente ao Paço Municipal durante a revolução: “Hoje, a bandeira de São Paulo entra pelo Brasil a fazer sua reconstitucionalização. São Paulo não se sujeita à ditadura. São Paulo luta para ser o escravo da lei, o servidor do direito, para obedecer à Justiça, para amar-se paladino da Liberdade”.
Ao todo foram 25.000 revolucionários divididos em 12 frentes de batalhas, em Barretos foram inscritos 200 nomes de voluntários, divididos em batalhões diferentes para defender as fronteiras dos portos margeados dos rios do estado de São Paulo. A primeira frente se chamou “grupo dos 52” e trabalhou em Olímpia por 8 dias combatendo as tropas federais. É perceptível o sentimento fervoroso dos paulistas em defender seu território, mas, conforme as fotografias dos revolucionários onde estão cantando, jogando e até se divertindo, eles se alistavam não somente por este sentimento, queriam novos desafios. Muitos eram jovens, demasiadamente jovens, como o nosso querido João Batista da Rocha de apenas18 anos na época.
As mentes privilegiadas dos senhores Adolpho Fernandes e Luiz Brandão confirmam a história contada por Jerônimo S. Barcellos nas páginas amareladas do jornal “O Correio de Barretos” de agosto de 1968. João Rocha fez parte do Batalhão defensor do Porto do Taboado e depois do Porto da Maricota, junto a Ruy Menezes. Coragem e ousadia foram virtudes que não faltaram a João Rocha, pois ele atravessou de canoa o Rio Grande duas vezes para tentar convencer as tropas federais. Na primeira o sucesso foi garantido, uma vez que levou cigarros, remédios, fósforos e objetos úteis aos rivais, contudo, a segunda vez foi traiçoeira e João e seu companheiro Pombo foram capturados pelos mineiros, mesmo ele atirando contra o comandante da tropa federal.
Pois bem, o que será que aconteceu com João Rocha depois da reação mineira? Teria reagido? Teria sido preso? Ferido? Esta história é digna de maiores linhas e merece ser continuada no artigo da semana que vem, assim como se fosse o último capítulo de uma novela. Leitores, aguardem curiosos...

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO" (BARRETOS/SP), EM 10 DE JULHO DE 2009.