sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

COLCHA DE RETALHOS: A FAMÍLIA BARRETO



O século XIX brasileiro foi palco de várias cenas de migrações sertanejas, principalmente entre famílias de Minas Gerais e São Paulo. A decadência do ouro em Minas Gerais e a expansão cafeeira paulista serviram como atrativos para os entrantes mineiros desbravarem os cerrados paulistas e iniciarem a povoação das primeiras vilas. Em resumo, é neste contexto que encaixaram-se as primeiras famílias de nossa cidade, os Barreto e os Marques (ou Librina).
Em 1900, quando a cidade não tinha nem mesmo 50 anos de fundação, o jornal “O Sertanejo” já publicava em “Tradições de Barretos” artigos do Cel. Jesuíno S. Mello contendo relatos sobre a vinda destas famílias conforme os depoimentos dos antigos moradores. Foram nestes artigos, assim como outras fontes orais e escritas, que Osório Rocha se espelhou para escrever o início de seu livro “Barretos de Outrora”. Com isso, o escritor ressalta que o casal Francisco José Barreto e Ana Rosa de Jesus tiveram oito filhos: Maria Rosa, Tereza Rosa, José Francisco, João Francisco, Francisca, Beralda, Antônia Maria e Rita Rosa.
Depois de tanto ler alguns casos que aconteceram nesta época, surgem as dúvidas: o que aconteceu com a família Barreto que não permaneceram na vila? O que se sabe é que os Marques continuaram em suas terras e ainda hoje existem alguns de seus descendentes na cidade, o que não é o caso dos Barreto. A explicação de Osório Rocha é referente a má qualidade das terras da Fazenda Fortaleza e a algumas doenças na família. Mas, será somente estes os fatores que determinaram sua saída? Como conseguiram se apossar das terras e não continuar nelas?
No cartório de Araraquara consta em um livro a “Lista de Votantes” do ano de 1849. Neste documento está inscrito o nome de 32 homens que habitavam o 6º quarteirão (futuramente a cidade Barretos), entre eles estão escritos os nomes dos dois filhos de Chico Barreto, alguns de seus genros, os nomes de Simão A. Marques e outros Librina (todos “lavradores”). O nome de Francisco José Barreto não consta na lista, o que prova seu falecimento anterior a 1849 - como já havia concluído o Cel. Jesuíno. Outro fator analítico é a probabilidade de tais famílias pertencerem a classes econômicas favoráveis, posto que para poder votar era necessário uma considerável renda mensal.
Como se percebe, são muitas as dúvidas que permeiam a origem de Barretos, assemelham-se a uma colcha de retalhos que ainda não chegou ao fim. Penso que seja importante dividir as dúvidas da história da família Barreto com todos os barretenses, afinal somos nós que precisamos resgatar nossa origem e compor nossa identidade. Se com menos de 50 anos já se discutia a história, com 154 anos ela já está mais do que “madura” para ser evidentemente retalhada.

REFERÊNCIAS: Documentos do Museu “Ruy Menezes”
BRIOSCHI, Lucila. Entrantes do Sertão do Rio Pardo.
ROCHA, Osório. Barretos de Outrora. 1954.

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO" (BARRETOS/SP), EM 06 DE FEVEREIRO DE 2009.

Um comentário:

mara lucia disse...

se todos os barreto informasse os
nomes de nossos pais,avós e bisavós
poderíamos,( de retalho em retalho)
completar a "COLCHA DE RETALHOS:
A FAMILIA BARRETO