domingo, 9 de dezembro de 2012

“LIBERDADE, LIBERDADE, ABRE AS ASAS SOBRE NÓS!”


ARTIGO PUBLICADO PELA PROFª ESP. KARLA O. ARMANI, EM 11 DE NOVEMBRO DE 2012 NO JORNAL "O DIÁRIO DE BARRETOS"


Liberdade, liberdade!
Abra as asas sobre nós
E que a voz da igualdade
Seja sempre a nossa voz.
            Leitor amigo, você já ouviu este refrão de música? Ele está muito conhecido ultimamente pois é parte da abertura da novela “Lado a Lado”, da Rede Globo. A novela trata do Rio de Janeiro durante os primeiros anos da República do Brasil e tal música faz referência exatamente sobre esta época. Esta canção foi samba-enredo da escola de samba “Imperatriz Leopoldinense” no carnaval de 1989; ano em que a República brasileira completaria 100 anos de proclamação. A mesma República que, na próxima quinta-feira, dia 15 de novembro, completará 123 anos.
Na canção “Liberdade, Liberdade, Abre as asas sobre nós”, o tema da “República” é retratado como resultado de uma série de acontecimentos que o antecederam. Como, por exemplo, o fato do Império no Brasil ser uma instituição anacrônica (“O Império decadente, muito rico, incoerente”); a Guerra do Paraguai e o Duque de Caxias (“Da guerra nunca mais, esqueceremos o patrono, o duque imortal”); os imigrantes europeus que trabalharam nas lavouras de café e mais tarde nas indústrias (“A imigração floriu de cultura o Brasil”); a Princesa Isabel e a Lei Áurea (“Pra Isabel, a heroína, que assinou a lei divina”); a Abolição (“Negro, dançou, comemorou o fim da sina”); e o Marechal Deodoro ter proclamado a República em 15 de novembro de 1889 (“Na noite quinze reluzunte; com a bravura finalmente; o marechal que proclamou, foi presidente”).
O mais interessante deste “samba-enredo”, porém, é o próprio refrão que, na verdade, é uma “nova” versão do Hino da República do Brasil. Assim, que a República foi proclamada, já em janeiro de 1890, o governo republicano, interessado em criar novos símbolos que despertassem o povo para aquele recente regime político, quis criar um hino da República brasileira. Depois de vencer o concurso para a composição de tal hino, o político e escritor José Joaquim de Campos da Costa de Medeiros e Albuquerque compôs a letra e o músico Leopoldo Miguez fez a melodia.
O original “Hino da República do Brasil” então passou a ter o seguinte refrão: “Liberdade, Liberdade, Abre as asas sobre nós! / Das lutas na tempestade / Dá que ouçamos tua voz”. E foi exatamente esta parte que a escola Imperatriz, cem anos depois, parafresou em uma versão nova na Sapucaí. O hino original fazia menção também aos fatos passados como a escravidão (“Nós nem cremos que escravos outrora / Tenha havido em tão nobre país”), as novidades republicanas como o sufrágio universal masculino (“Somos todos iguais”) e aos novos símbolos como o “herói nacional” Tiradentes (“Sangue vivo do herói Tiradentes”).
Com a criação do Hino Nacional, em 1909, o Hino da República foi perdendo espaço e apreciação. Fato que foi retomado um século depois com a escola de samba “Imperatriz Leopoldinense” e agora está, novamente, sendo revivido na novela; mesmo sendo esta uma história fictícia. Mas, o Hino da República ainda pode ser resgatado nos dias de hoje pelas escolas, onde as aulas de História podem utilizá-lo como fonte para o aprendizado a respeito dos anos inciais da República brasileira. Uma República centenária e rica em símbolos e memórias! 

2 comentários:

Jorge Ramiro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fêh-Chan disse...

Muito bom. Me ajudou bastante ^^