domingo, 9 de dezembro de 2012

OS CORONÉIS DA GUARDA NACIONAL


ARTIGO PUBLICADO PELA PROFª ESP. KARLA O. ARMANI, EM 4 DE NOVEMBRO DE 2012 NO JORNAL "O DIÁRIO DE BARRETOS"


            Leitor amigo, já reparou que boa parte das escolas, ruas e praças de Barretos tem nomes de coronéis? Sem querer, nomes como “Cel. Almeida Pinto”, “Cel. Raphael Brandão”, “Cel. Silvestre de Lima”, entre outros, passam por nosso cotidiano e acabam sendo retidos por nossas memórias. Mas, quem foram estas pessoas? O que de fato era ser um coronel? Especulemos então.
            A designação “coronel” nada mais era do que uma patente da Guarda Nacional. Esta instituição, inspirada nos modelos franceses, surgiu durante o período das Regências no Brasil, em 18 de agosto de 1831. Nesta época, a nação brasileira passava por crises políticas, em razão da abdicação de Pedro I, e sociais, por conta das revoltas provinciais. Em pelo menos quatro províncias do Brasil, cinco revoltas abalaram a estrutura governamental e ameaçaram a unidade territorial. Por isso, o governo regencial criou a Guarda Nacional – extinguindo os corpos de milícias e a Guarda Municipal, para garantir a “ordem” e agir quando necessário interna e externamente no território nacional.
            Como de praxe na época, para fazer parte da lista dos membros da Guarda Nacional, era necessário ter as mesmas condições para ser eleitor e votante, isto é, homem, maior de idade, com renda mínima anual, além do alistamento ser obrigatório dos 18 aos 60 anos. Somente os mais abastados ocupavam as patentes mais altas da Guarda Nacional, como “coronel”, “major”, “capitão” e “tenente”; títulos disputados entre os mais ricos de cada localidade. Sendo assim, por muito tempo, os membros das mais altas patentes da Guarda Nacional eram aqueles pertencentes à elite agrária brasileira, os fazendeiros, e por isso a designação “coronel” acabou por virar sinônimo de latifundiário. Além disso, sabe-se que tais coronéis utilizavam de meios violentos e da “troca de favores” para fazer seus trabalhadores votarem nos candidatos de seus interesses, depois da Proclamação da República.
Ao longo do século XIX, a Guarda Nacional contribuiu para a “segurança nacional”, já que o exército brasileiro só foi remodelado a partir da Guerra do Paraguai (1864). Mas, a principal atuação desta instituição foi na “ordem” pública dos munícipios, essencialmente àqueles que se emanciparam após o regime republicano de 1889. E assim foi com Barretos, que teve a Guarda Nacional criada no final do século XIX e reorganizada em 1902, quando o dr. Antonio Olympio era o chefe do diretório republicano na cidade. Em 1918, ocasião em que a Guarda Nacional começou a ser extinta e absorvida pelo Exército, Barretos já possuía seis brigadas – cinco infantarias e uma cavalaria.
            Os coronéis da Guarda Nacional, alguns mais atuantes na área rural e outros na cidade, continuam gravados de alguma forma na nossa cidade, mesmo passado tanto tempo desde sua extinção. Então, seria interessante que tivessemos conhecimento sobre a ação deles em Barretos e porque seus nomes continuam por aí... quem sabe até na sua própria rua, leitor amigo. Pensemos. 

2 comentários:

Orivaldo Qbar Carvalho junior disse...

Boa noite, vc tem algum material sobre cel Manoel Martins? Eh meu trisavô! Se tiver algo e puder compartilhar agradeço! Contato 9 81129898

Lucas Cerviño disse...

Bom dia, Profa. Karla

Poderia informar onde posso encontrar uma relação dos coronéis? Estou precisando encontrar os da região de Monte Santo, especialmente JOAO BORGES DE SÁ, primeiro prefeito de Uauá.

Parabéns pelo texto.

Cassia
cassia.duran@terra.com.br