ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO DE BARRETOS" EM 2 DE JUNHO DE 2020
(página 2) PELA PROFª KARLA ARMANI MEDEIROS
 |
Profº Aymoré do Brasil. (Fonte: Correio de Barretos, 2-1-1944, p.1, Arquivo do Museu "Ruy Menezes") |
“Barretos, apesar de localizada em pleno
sertão brasileiro, tem, [...], o seu Conservatório Musical, devido ao esforço e
à boa vontade do consagrado virtuose prof. Aymoré do Brasil” (A Semana,
31/8/1940, p. 3).
Era o ano de 1940 quando chegava a
Barretos o ilustre professor de música Aymoré do Brasil; paulista de Serra
Negra, nascido em 1907. Dirigiu o Conservatório Municipal de Barretos, fundado
em 1938, e depois tornou-se professor de música de institutos musicais da
cidade e de escolas. Na década de 1940 e início dos anos 1950, quando em
Barretos viveu, consagrou-se como professor e digno artista, a ponto de ser o
compositor da melodia do Hino de Barretos, apresentado à cidade em 1950, junto
com o jornalista Osório Rocha (autor da letra).
Antes de vir a Barretos, é notado na
imprensa paulista como músico concertista em recitais em cidades interioranas,
como Bauru, Campinas e outras. Era reconhecido como exímio violinista e músico
do canto orfeônico. Formou-se no Conservatório Carlos Gomes de Campinas e no
Conservatório Paulista de Canto Orfeônico.
Em Barretos, mediou a visita de
importantes artistas da música erudita nacional e estrangeira, servindo-se como
interposição entre os barretenses e a cultura musical. Tenores, maestros,
pianistas e musicistas vinham a Barretos por sua intermediação, assim como de
suas colegas pianistas, Adelaide Galati e Haydée Menezes. Juntos, estampavam os
jornais da época, “A Semana” e “Correio de Barretos”, com reportagens que
elencavam a cultura como uma característica da vida barretense.
O Profº Aymoré contribuiu à cidade
como um elemento de integração de cultura e arte, pois tinha a intenção de
estabelecer em Barretos não uma escola restrita à técnica musical, mas sim produtora
de conhecimento, de regozijo do espírito, de apreciação às ideias abstratas.
Atuava como um aglutinador de cultura. Isso, há 80 anos.
Fontes:
Jornal "A Semana", Barretos-SP, 31/08/1940, p. 3 - Arquivo do Museu "Ruy Menezes".
Jornal "Correio Paulistano", São Paulo-SP, edições diversas de 1927 e 1936, 1937 e 1938.
MENEZES, Ruy. Espiral: história do desenvolvimento cultural de Barretos. Barretos: Intec, 1985, p. 320.