terça-feira, 6 de outubro de 2020

CONCURSOS DE ROBUSTEZ INFANTIL

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO DE BARRETOS" EM 6 DE OUTUBRO DE 2020 (página 2) PELA PROFª KARLA ARMANI MEDEIROS

          

Crianças se apresentando em concurso de
 robustez infantil em Barretos - ano de 1937.

Fonte: Arquivo iconográfico do Museu "Ruy Menezes".

  O Dia das Crianças, 12/10, se aproxima e é interessante voltar no tempo para conhecer um evento recorrente: os antigos concursos de “robustez infantil”.

            Era 1902, quando surgiu o primeiro concurso de “robustez infantil” no Brasil, organizado pelo médico Arthur Moncorvo Filho, com o objetivo de incentivar o aleitamento materno. De lá até metade do século XX, os concursos foram realizados por instituições de diversas naturezas, considerando a saúde e o vigor das crianças. Para tal, eram avaliados a idade, peso, altura, dentição, higiene e desenvolvimento, a fim de se estimular os cuidados e asseios com os pequenos e a relação com os pais. Inclusive, os concursos eram patrocinados por empresas das cidades e ofertavam prêmios às mães das crianças vencedoras. Embora fosse este o discurso principal, principalmente nas instituições médicas e de puericultura, é claro que tais concursos eram alinhados às políticas de governo em certas épocas, uma vez que a criação de indivíduos saudáveis repercutia num excelente cenário nacional.

            Em Barretos, especialmente durante o período do “Estado-Novo” do presidente Vargas, no início dos anos 1940, foram organizados anuais concursos de robustez infantil em datas como o “dia da criança” e “Natal”. As instituições que mais aparecem na imprensa da época organizando tais concursos foram o “Rotary Clube de Barretos”, a “Legião Brasileira de Assistência” e a “Associação de Assistência à Maternidade e à Infância”. Esta, criada em 1942, promovia concursos de robustez infantil voltados às crianças matriculadas em seu lactário; um público carente, cujas mães também recebiam orientações no Posto de Puericultura da mesma instituição. Os concursos tanto do Rotary quanto da AAMI dividiam-se entre categorias de idades e tinham a participação de médicos da cidade como selecionadores. A premiação acontecia nos salões do Grêmio Literário com entrega de brinquedos a todas as crianças.

            O olhar sobre as crianças é também objeto de estudo da História.

Fontes:

FREIRE, Maria Martha de Luna; LEONY, Vinícius da Silva. A caridade científica: Moncorvo Filho e o Instituto de Proteção e Assistência à Infância do Rio de Janeiro (1899-1930). Hist. cienc. saude-Manguinhos,  Rio de Janeiro ,  v. 18, supl. 1, p. 199-225,  Dec.  2011 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59702011000500011&lng=en&nrm=iso>. access on  05  Oct.  2020.  http://dx.doi.org/10.1590/S0104-59702011000500011.

- Texto do Arquivo Nacional (2019).

- Jornal "Correio de Barretos", edições de 31/12/1942, 25/12/1943 e 17/9/1944. Acervo: hemeroteca do Museu Histórico, Artístico e Folclórico "Ruy Menezes".

terça-feira, 29 de setembro de 2020

MULHERES NA CAMPANHA ELEITORAL

 ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO DE BARRETOS" EM 29 DE SETEMBRO DE 2020 (página 2) PELA PROFª KARLA ARMANI MEDEIROS

          

Maria Ignez de Ávila Jacintho no primeiro ano de seu mandato como
 vereadora à Câmara de Barretos.

(Fonte: Jornal O Diário, 7/6/1973, p. 1 - Arquivo do Museu "Ruy Menezes").

  A campanha eleitoral se iniciou nesta semana e uma enxurrada de discursos irá movimentar a imprensa, as redes sociais e as conversas dos eleitores. Propostas e posicionamentos dos candidatos serão visíveis até aonde o eleitor nem imagina. Isso porque a política rastreia as pessoas, busca dialogar e se apresentar enquanto plataforma. Os candidatos apresentam discursos de acordo com ideologias de seus partidos, mas também chamam a atenção para questões pessoais, da própria cidade.

            Neste contexto, chama a atenção a quantidade notável de mulheres pleiteando vagas no Executivo e Legislativo. Esse é um quadro de grande avanço na política, que precisa ser ainda ampliado nas eleições futuras. Será uma efetivação da democracia. O interessante é o discurso empolgante de determinadas candidatas, especialmente as aspirantes à edilidade. Discursos que enquadram a participação feminina nos diversos segmentos da sociedade. As candidatas se comprometem em usar a política a favor da igualdade e de ações efetivas em seus campos específicos de atuação. Certamente, a eleição de mulheres como vereadoras proporcionará olhares edificantes a políticas públicas essenciais quanto a trabalho, legislação, proteção, renda, independência, direitos, saúde, maternidade, amamentação, cuidados, instrução, etc.

            Pela movimentação já sentida nas redes sociais, as mulheres estão à frente com olhares certeiros e discursos decisivos. As cadeiras da Câmara provavelmente serão ocupadas por boa parte delas, afinal o Brasil cada vez mais se movimenta neste sentido. Em Barretos, a primeira vereadora eleita foi Maria Ignêz de Ávila Jacintho; atuante em duas legislaturas: 1973-1976 e 1977-1983. Apesar do voto feminino ter sido aprovado em 1932, precisou mais de 40 anos para a cidade ter uma representante mulher na política. E muito bem posicionada, inclusive. Depois dela, a Câmara contou com somente 7 mulheres vereadoras até o momento. É visível que a hora dessa representatividade de fato acontecer, chegou. É agora.

terça-feira, 22 de setembro de 2020

BARRETOS, AS MULHERES E A HISTÓRIA

 ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO DE BARRETOS" EM 22 DE SETEMBRO DE 2020 (página 2) PELA PROFª KARLA ARMANI MEDEIROS     

Operárias do Frigorífico Anglo, em Barretos, sem data.
Fonte: Arquivo do Museu "Ruy Menezes"


            O título enuncia três substantivos diferentes, separados por vírgula. Mas, a ideia é juntá-los na realidade, de modo que nenhuma vírgula os separe. Há tempos, as obras sobre a história da cidade citam pouco (na verdade, quase nada) sobre mulheres. Numa mentalidade conservadora, talvez nem se repare esta omissão; porém, no presente, é demasiado estranho escrever e ler sobre o passado da cidade e nada encontrar sobre as mulheres. Este cenário, portanto, precisa ser impulsionado.

            Por isso, esta é uma missão que tenho assumido. Apresentar, em sérias pesquisas, os perfis de mulheres que viveram em Barretos e, cada qual à sua maneira, fizeram parte do desenvolvimento local. O passado não era um tempo “bonito” às mulheres - verdade seja dita – mas, dentro de suas possibilidades (muitas vezes rompendo barreiras), há interessantes surpresas a serem desvendadas sobre elas.

            Desta feita, meu texto no livro “Barretos em 3ª pessoa”, lançado mês passado pela Prefeitura de Barretos e a ABC, abordou tal questão, apresentando diversas trajetórias de mulheres que, desde o século XIX até os idos dos anos 1970, contribuíram à cidade e mereciam estar na História. Da mesma maneira, na recém lançada Coletânea “Elas nas Letras”, organizada pela confreira Sada Ali em parceria com a Pastoral da Mulher Marginalizada, publiquei um artigo sobre a vida e obra da pianista barretense Haydée Oliveira Menezes. Em outra coletânea, contei sobre a trajetória da Profª Noemi Nogueira, e, até o final do ano, outra personagem ainda será apresentada.

            Acredite leitor, você se surpreenderá com a história da pianista Haydée Menezes, o quanto ela foi brilhante nos anos 30, viajando não somente no teclado de marfim, mas por todo o país, e levando o nome de Barretos. É quase inacreditável que uma jovem como ela, naquele tempo, possuísse tantos contatos e rica bagagem cultural. Mais inacreditável é o fato de poucos barretenses saberem disso. Haydée, Noemi, Nilda, Paulina, Glorinha, Fiúca, Adelaide e tantas outras precisam ser conhecidas por nós.

Coletânea "Elas nas Letras", organizada pela escritora Sada Ali, em benefício da Pastoral
da Mulher Marginalizada de Barretos, e apoio da Prefeitura de Barretos.

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

A NEVE NEGRA

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO DE BARRETOS" EM 16 DE SETEMBRO DE 2020 (página 2) PELA PROFª KARLA ARMANI MEDEIROS              

Foto ilustrativa do site da Prefeitura de Barretos (s/id).

É fim de inverno, os ipês floridos no último dia de agosto prenunciaram a entrada da primavera, tornando as ruas da cidade verdadeiros tapetes coloridos. Paisagem inversa ao que nesta semana se propaga, uma vez que não há verde pelas árvores, nem umidade e nem clima ameno. O que nossos olhos veem é um céu cinzento, os galhos secos e um ar que cheira à fuligem. A neve de inverno, que nunca existiu no Brasil, é metaforicamente associada ao elemento mais presente nas casas brasileiras: as queimadas – a neve negra. Fuligens devolvidas pela natureza em ventos quentes.

            Parece roteiro de filme de terror, mas Barretos atingiu o maior índice de falta de umidade da região, associado a clima desértico, somando-se ao racionamento de água (devido ao baixo nível dos reservatórios e à falta de chuva) e às intempestivas nuvens de queimadas que assolam diariamente as áreas urbanas e rurais. E o pior: esse cenário não é só local e sim do estado inteiro, assim como outras regiões do país.

            Nesta semana, este assunto veio à tona porque o grave problema da “neve negra” repercutiu diretamente na vida, no trabalho e na saúde das pessoas. Refletimos sobre: a culpa do homem nos incêndios, o desbravamento das áreas florestais e ciliares, a matança de animais silvestres, o perigo das rodovias com as nuvens de fumaça, a falta de fiscalização e penalizações, a insegurança quanto à presença do governo do estado com medidas eficazes, além do típico negacionismo da esfera federal.

            Impressionante como a “neve negra” incomodou este ano. Nós que parecíamos tão acostumados com ela, precisamos agora enfrentá-la em meio a uma pandemia! Diziam os memorialistas que, em 1870, o “fogo bravo” devastou a paisagem florestal da região, e que disso resultaram as pastagens e o posterior desenvolvimento da cidade. Um nítido mito de origem, pois é impossível qualquer lugar, independente da época, conseguir desenvolver-se às custas da morte da natureza, dos rios e dos animais. Nós, do presente, somos a prova viva que o “fogo bravo” é um regresso ao futuro.                                                                      

domingo, 13 de setembro de 2020

COELHO NETTO HÁ 100 ANOS

 ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO DE BARRETOS" EM 9 DE SETEMBRO DE 2020 (página 2) PELA PROFª KARLA ARMANI MEDEIROS      


Era 12 de setembro de 1920, quando chegava a Barretos, pelos trilhos da velha estaçãozinha da Paulista, o escritor maranhense Coelho Netto. Já famoso na carreira literária como escritor, Coelho Netto veio a Barretos há exatos 100 anos pela primeira vez, ocasião em que estabeleceu laços de amizade. A feliz receptividade ressoou em carta ao amigo Emílio José Pinto, jornalista na cidade: “Não acho palavras que exprimam, com a intensidade com que vibra em minha’alma, a gratidão que devo a toda essa gente boa e forte de Barretos” (19/9/1920).

Entre os dias 12 e 13 de setembro, Coelho Netto, acompanhado do escritor e historiador Arthur de Cerqueira Mendes, ficou hospedado na casa do prefeito, dr. Antônio Olympio, proferiu a conferência “A Floresta” na União dos Empregados no Comércio, visitou o frigorífico, conheceu a Cachoeira do Marimbondo e recebeu solenes homenagens no Grêmio Literário e Recreativo; onde tornou-se sócio honorário. Essa relação com o Grêmio se solidificou, uma vez que ele enviava seus livros para a Biblioteca do Grêmio (onde era exibido um retrato dele), além de ter retornado outras duas vezes ao clube em 1921. Mas, a notabilidade maior ocorreu em 1922, ano da comemoração do Centenário da Independência, em que, Coelho Netto escreveu a conferência “Hosanna” exclusivamente ao Grêmio, e esta foi lida pelo seu amigo Emílio Pinto durante as festividades do Centenário – mesma ocasião em que foi inaugurado o Busto da República na Praça Francisco Barreto.

Mais detalhes sobre a relação de Coelho Netto com a elite letrada de Barretos, podem ser lidos no livro “De onde cantam as cigarras”. Porém, a exatidão dos 100 anos da vinda do escritor à cidade não poderia passar despercebida, por isso, a autora deste artigo, junto ao professor de Literatura André Lourenço Ribeiro, farão uma live, em seus perfis do Instagram, sobre este tema, dia 12, às 18h. Coelho Netto, possivelmente, não imaginaria que passados 100 anos, ainda cá estaria.

Referência:

MEDEIROS, Karla de O. Armani. De onde cantam as cigarras: o Grêmio Literário e Recreativo como sala de visitas de Barretos - 1910/1945. Barretos: edição da autora, 2020.

Barretos em 3ª pessoa

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO DE BARRETOS" EM 1 DE SETEMBRO DE 2020 (página 2) PELA PROFª KARLA ARMANI MEDEIROS            


O título do livro é uma “brincadeira” com a Língua Portuguesa e, ao mesmo tempo, uma oportunidade de reflexão sobre os diversos olhares para a nossa cidade. No livro “Barretos em 3ª pessoa”, lançado em 28 de agosto virtualmente pela ABC e Prefeitura, Barretos deixa de ser exclusivamente substantivo próprio, passando a ser a referência, o assunto dos 34 autores; a 3ª pessoa, “ela”. De substantivo a pronome pessoal. Mais do que a cidade em si, o foco do livro é o olhar que se tem sobre ela.

Essa nova roupagem gramatical mostra que a cidade pode ser plural em tudo, inclusive na sua própria História. Escrever sobre o passado de Barretos é um ato permitido a todo tipo de público, basta que a proposta seja antecipadamente explicada ao leitor. O livro “Barretos em 3ª pessoa” foi pensado desta maneira, pois seus autores tinham o passado de Barretos como assunto em comum, porém, a temática e o estilo de narrativa são diversificados.

Ali, o passado de Barretos foi traduzido de duas principais formas: pela memória (lembranças) ou pela História (pesquisa). E a diversidade do livro não para por aí, não se contenta ao significado de seu título ou dos estilos dos autores, ela também é vislumbrada nas épocas e temas escolhidos. Barretos é uma cidade centenária, e, nesta obra, o século XIX está tão presente quanto os anos 80 do século XX, assim como as fotografias são de origem preto e branco ou coloridas. Nas páginas do livro são apresentados personagens icônicos, a contribuição dos imigrantes e dos grupos sociais étnicos e trabalhadores, lugares de sociabilidade, instituições, episódios e interessantes visões sobre o passado da pecuária, dos corredores boiadeiros e dos peões.

A pluralidade de assunto foi tão importante, a ponto de, sem querer, alguns textos se conectarem; um leitor atento consegue identificar esse presente do destino. Esses diálogos inesperados aparecerem justamente porque, apesar da diversidade temática e estilística, todos tinham como único objetivo: ela – a cidade de Barretos.

BARRETOS: UM MOISACO DE GENTE

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO DE BARRETOS" EM 27 DE AGOSTO DE 2020 (página 2) PELA PROFª KARLA ARMANI MEDEIROS  

            Zé de Ávila, trovador e poeta, disse em seu “Ode a Barretos”, de 1989: “Não só peões e boiadeiros, / de outros naipes gente havia / por recantos costumeiros / transitando noite e dia”. Uma trova que, pequenina, retrata a amplitude que foi Barretos no passado. Referia-se ele à cidade no início de sua formação urbana, um lugarejo que surgiu de um arraial sertanejo e décadas depois já chamava a atenção nacional frente seu potencial econômico da pecuária. Fator este que justifica a pluralidade da sua gente.

            Barretos é resultado de uma integração de povos, cuja migração aconteceu em fases diferentes. Em 1830, o povoado inicial formou-se pela migração de entrantes mineiros, haja vista a procedência dos Barretos e dos Librina. Mineiros que, transpondo o Rio Grande, abriram picadas de matas virgens dessa ponta nordeste de São Paulo, e fixaram moradia no vale dos ribeirões que hoje cortam os asfaltos do centro. A relação com Minas Gerais ainda se reafirmava no final do século XIX, quando a pecuária já era uma atividade expressiva na recente comarca e as transações com o Triângulo Mineiro estavam veementes. O velho jornal “O Sertanejo” noticiava as idas e vindas de personagens de cá para lá (Frutal, Uberaba, Santa Rita de Sapucaí).

            A mesma pecuária foi fator para atração de outros grupos, vindos de diferentes estados e cidades paulistas, rumo à “Chicago brasileira”. Muitos destes personagens, no início do século XX, eram graduados em universidades e possuíam profissões liberais. Aos poucos, Barretos dotava-se de tipografias de jornais, escritórios de advogados, escolas particulares, consultórios médicos e dentários, ateliês fotográficos e casas comerciais. Não tardou para que esse grupo, alinhado com o republicanismo, tomasse as rédeas da política local, ocupando as cadeiras da Câmara, da Prefeitura e participando das instituições que surgiam. Ao olhar as assinaturas dos artigos de jornais, das atas das entidades e as fotografias amareladas deste tempo, encontram-se sempre os mesmos nomes e rostos. Hoje, estampados como nome de escolas e ruas.

Por outro lado, o frigorífico, de 1913, trouxe para a cidade os imigrantes, servindo-se, principalmente, como classe operária de suas máquinas industriais. Italianos, portugueses, espanhóis, lituanos e romenos, diversificavam ainda mais a mistura social que era Barretos, habitando especialmente o bairro “Outro Mundo”. Os imigrantes também estavam presentes nas atividades liberais, como professores, engenheiros e arquitetos. Aliás, a arquitetura de estilos estrangeiros vigente nos casarões e palacetes centrais era o que modernizava o ar daquela cidade de origem caipira, que tentava marcar sua posição avançada no mapa do estado e do país.

Junto a esta miscelânea de gente, trilhava as ruas de terra seca os peões de boiadeiro, os quais, vindos das comitivas, em seus cavalos e mulas, de chapéus, botas e largas vestimentas, circulavam na cidade, reafirmando o sertanismo local. A figura do peão era constante em qualquer década daquele passado, era o que marcava a identidade da cidade. Tanto que se tornou inspiração para músicas e personagem icônico da primeira festa popular organizada pela Prefeitura para caracterizar a cidade.

            Naquela transição de séculos, Barretos era um local isolado, distante da capital, almejando uma estação de trem, mas já atraente para novos moradores – nossos antepassados. O fato é que, nestes 166 anos, outros tantos momentos serviram como fases de impulso para “novos barretenses”. Barretos sempre será um mosaico de gente, é terra de gente diversa, como já disse o mesmo poeta: “És o lugar bom e lindo / com que eu vivia sonhando / e ao que um dia acabei vindo / e por ter vindo ficando”.