terça-feira, 17 de dezembro de 2019

SOBRE ALPONDRAS (QUE HÁ EM NÓS)


ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO DE BARRETOS" EM 17 DE DEZEMBRO DE 2019 (página 2) PELA PROFª KARLA ARMANI MEDEIROS 

         
Eu com o autor da obra "Tempo Bom em Alpondras",
 Marcos Diamantino, na sede da Academia
Barretense de Cultura.
  
A noite de 10 de dezembro foi especial à Academia Barretense de Cultura por conta do lançamento de mais um romance do acadêmico Marcos Diamantino. Ocupante da cadeira 15, o escritor agrupa funções de jornalista, professor e artista, enobrecendo o celeiro dos imortais. Ser leitor de Diamantino já virou praxe em Barretos.
            No romance “Tempo Bom em Alpondras”, de narrativa sútil, o autor descreve cenários, personagens e situações de fácil imaginação. O ponto crucial, porém, é a reflexão subjetiva a ser construída. O local da trama é a “pacata” cidade de Alpondras, onde o escritor materializa panoramas clássicos como ruas, casas, comércios, clubes, instituições, rios e fazendas. Ali residem as personagens que são descritas em suas personalidades e com nomes um tanto excêntricos. O fato é que cada personagem representa um perfil social interessante, cabível no contexto atual, e, conforme o desenrolar, temas importantes e contemporâneos pululam em nossa mente: internet, redes sociais, fake news, discursos de ódio, intolerância, violência, impunidade, identidade. A leitura nos leva à análise sobre nossos próprios comportamentos. Fato.
            Diante o assassinato de três pessoas, o jornalismo investigativo e a soltura de comentários vazios nas redes sociais, o narrador cria perfeitas condições de reflexão, de realidade. Além da própria escrita te transportar a contextos diferentes, uma vez que o discurso do narrador, com seus diálogos, é essencialmente distinto das novelas narradas por uma das vítimas, o escritor Gualberto Lopes. As novelas e contos discorridos por este personagem são de uma escrita envolvente, sendo talvez os momentos de maior reflexão da obra. Dimas e Ruth, casal central, são os que movimentam a ficção, mostrando que aquela Alpondras não era mais (ou nunca foi) uma estática cidade, que fazia jus a sua denominação (pedras que serviam de ponte em riachos); era na verdade um reflexo da sociedade contemporânea, dos discursos permissivos e da impunidade recoberta. Alpondras poderia ser qualquer cidade, a minha ou a sua.

       

Um comentário:

Diamantino disse...

Obrigado por essa reflexão muito pertinente sobre a minha obra, Karla. Havia lido quando publicada no Jornal O Diário. Passado o calor da agradável surpresa, percebo que o artigo atingiu mesmo a mosca do alvo pretendido nessas linhas de "Tempo Bom em Alpondras". Sua interpretação de meu trabalho não poderia ser melhor. Gratidão.