
(Cazuza)
Iniciamos a semana com a comemoração da Independência do Brasil, 07 de setembro de 1822, mas, todos sabem que a independência política e econômica não aconteceu de fato, em síntese, por causa da continuidade do governo português (com o Império de Dom Pedro I e a Constituição de 1824), e da relação de dependência econômica com a Inglaterra. A partir desta época, surgem agrupamentos políticos vinculados ao governo central, com leves diferenças de pensamentos e historicamente dominantes.
O período seguinte ao Primeiro Império, denominado Período Regencial (1831-1840), é o momento considerado como a primeira experiência verdadeira de governo brasileiro. Posto que, os regentes brasileiros administravam o país conforme as políticas praticadas pelos “partidos” Moderados e Exaltados. Estes, por representarem a mesma classe social, tinham, portanto, os mesmos interesses.
Em seguida, com a ascensão do Segundo Reinado do astuto Dom Pedro II (1840-1889), os agrupamentos políticos se desenvolveram para Liberais e Conservadores. Segundo o escritor Raymundo Faoro, os liberais eram mais “democráticos”, no sentido de defender a emancipação dos municípios e das províncias, já os conservadores eram adeptos de um certo “concurdismo”, pois eram obedientes ao trono por respeito e tradição. O fato é que, os “partidos” na teoria eram representantes da opinião pública, contudo, na prática isso não acontecia. Uma vez que, os mesmos “partidos” quase não apresentavam diferenças de pensamentos, e ainda não possuíam ideologias próprias e muito menos identidade. Nesta ocasião, lembra-se a famosa frase do escritor Oliveira Viana: “Nada mais conservador do que um liberal no poder. Nada mais liberal que um conservador na oposição”.
Quase dois séculos se passaram, e estamos na quinta Constituição (1988), entretanto, ainda persistem alguns quadros políticos, por vezes, parecidos com os do Brasil Império. Afinal, os partidos políticos atuais, se seguem alguma ideologia, ainda ignoram o sentido original da política, que é o bem comum, para dedicarem-se a outros fins. Logo, obstante de estabelecer um “bem x mal” entre os partidos, fica a crítica sobre a ausência de ideologia partidária do século XIX e a esperança de inovação do “bem comum” brasileiro presente, através de sólidas políticas públicas educacionais. Porque é com a educação que se constroem indivíduos autenticamente políticos!
REFERÊNCIA:
FAORO, Raymundo. Os donos do poder: Formação do patronato polítco brasileiro. 5ª ed., Editora Globo: Porto Alegre, 1979.

